PSD prepara medidas contra incêndios e está disponível para aprovar propostas

Sociais-democratas querem ter acesso a informação mais rigorosa sobre Monchique

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David Justino, vice-presidente do PSD Miguel Manso

A direcção do PSD esperou que os incêndios na serra de Monchique estivessem controlados para fazer a apreciação política da actuação do executivo. A seguir, o vice-presidente David Justino condenou a “campanha eleitoral” e a “soberba” do executivo quando falou em vitória e questionou a estratégia de combate ao fogo. Mas, ao mesmo tempo, mostrou disponibilidade do partido para aprovar medidas na área dos incêndios. O PSD, sabe o PÚBLICO, também terá propostas mas considera ainda ser cedo para as apresentar.

As críticas mais técnicas ao combate ao fogo de Monchique, que lavrou mais de uma semana, ficam guardadas para depois. Até lá, o PSD quer ter acesso a relatórios e à fita do tempo (que regista as decisões operacionais e as comunicações) do incêndio para poder incidir sobre o que pode ter falhado na estratégia de combate ao fogo que só foi dado como controlado na passada sexta-feira.

Dois dias depois de o incêndio ser dado como dominado, David Justino quebrou o silêncio do partido para condenar o que considerou ser o “triunfalismo” do Governo que, através do ministro da Administração Interna, falou em vitória por não se terem registado vítimas mortais. “Este Governo contenta-se com o mal, sugerindo que poderia ter sido pior”, apontou, acusando o executivo de “ocultar” outros dados: “Portugal tem a maior área ardida, para começo de época reconheçamos que não é animador”.

David Justino condenou ainda as declarações de António Costa ao Expresso, feitas numa entrevista em que considerava que os incêndios de Monchique foram a excepção que confirmou a regra. “O que há é falta de recato, humildade e precipitação. Recato porque é produzida no auge do combate, precipitação porque é o início de época deste Verão que é tardio”, afirmou, recordando que o próprio Marcelo Rebelo de Sousa apelou para que “cessassem os triunfalismos”

Mesmo as publicações do primeiro-ministro na conta oficial do Twitter durante o incêndio, em que António Costa aparecia no gabinete a acompanhar a situação no terreno, foram consideradas desnecessárias. “Houve estratégia de comunicação a mais e combate a menos”, apontou, recomendando ao Governo: “Concentrem-se mais em resolver os problemas do país do que em fazer campanha eleitoral que ainda vem longe”.

O tom crítico foi suavizado pela disponibilidade do PSD para “encontrar soluções, agilizar processos e viabilizar medidas para ultrapassar esta situação”. Os sociais-democratas estão também dispostos a acolher a sugestão do Presidente da República de tornar permanente a comissão técnica independente aprovada na Assembleia da República por unanimidade e entretanto já promulgada pelo próprio Marcelo Rebelo de Sousa. A proposta original partiu do PSD e não tinha referência à duração dos trabalhos da comissão de acompanhamento dos incêndios. Essa alteração acabou por ser feita na comissão parlamentar – determinando a duração de um ano. Agora poderá vir a ser rectificada se uma maioria de deputados aceitar a sugestão do Presidente da República.

Remetendo os detalhes técnicos do combate aos incêndios na serra de Monchique para mais tarde, o vice-presidente do PSD não deixou de questionar o “atraso” de dois dias da transferência da coordenação das operações para o comando nacional. Já sobre a retirada dos residentes das zonas de risco, Justino disse compreender a estratégia, embora ressalve que isso “não dispensa” as outras forças de continuar a combater o fogo. “É nesse sentido que essa estratégia pode ter falhado. Salvar vidas é o normal”, afirmou. Nos próximos dias, o PSD vai pedir reuniões com os autarcas dos concelhos afectados por este incêndio.

Numa conferência de imprensa dedicada apenas ao tema dos incêndios em Monchique, David Justino foi questionado sobre a saída de Santana Lopes do PSD para formar uma nova força política e sobre se há receio de “roubo” de votos, mas desvalorizou ao dizer que só está preocupado com os “problemas do país”. “Perante isso o aspecto que me coloca é mínimo, é insignificante”, rematou.