Ingleses, alemães e franceses provocam queda das dormidas em Junho

Dormidas de turistas não residentes recuaram 5,1% em Junho. Governo explica evolução com efeito do Campeonato do Mundo de futebol e com o clima

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Junho não ficou marcado pelo bom tempo Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

As dormidas de turistas estrangeiros sofreram um recuo de 5,1% em Junho, para 4,1 milhões, de acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Há um ano, a subida tinha sido de 10,6%. A quebra agora registada deveu-se essencialmente ao mercado britânico e ao mercado alemão, que caíram 9,8% e 10,5%, respectivamente. A estes dois mercados, os mais importantes para Portugal em termos de dormidas (por esta ordem), juntam-se outros como a França - actualmente o terceiro maior neste indicador e que desceu 2,6% no mês em análise - Países Baixos, Irlanda, Polónia, Itália e Suécia.

Na base destes números está uma queda do número de visitantes (hóspedes) estrangeiros, que no entanto registou uma menor intensidade, tendo descido 2% (para 1,3 milhões). Tendo em conta este indicador, a descida dos britânicos foi de 7% (para 217 mil), e a dos alemães 9%. Isso quer dizer que não só houve menos turistas destas nacionalidades a visitar Portugal, como os o que vieram estiveram, em média, menos tempo. Houve também subidas, como a de visitantes norte-americanos, mas que não conseguiram compensar as restantes quedas. 

Fonte oficial da secretaria de Estado do Turismo desvalorizou ao PÚBLICO os dados, referindo que dizem respeito “apenas a hóspedes na hotelaria" e notando que “em termos de passageiros desembarcados nos aeroportos portugueses" houve um aumento de 6,4% em Junho. Por outro lado, avançou como explicação para a queda “a realização do Campeonato do Mundo de futebol, bem como as condições climatéricas que se registaram na Europa”, que “poderão ter adiado o início do período de férias dos principais mercados emissores”.

Em Maio também já se registara uma descida nas dormidas de não residentes, mas de 0,4% em termos homólogos, após uma série de crescimentos mensais nos últimos anos (Abril caiu 7,2%, mas sofreu o efeito de sazonalidade da Páscoa). Ao contrário do que sucedeu agora no mês de Junho, que teve uma quebra mais expressiva das dormidas, em Maio ainda houve uma variação positiva dos hóspedes estrangeiros (de 1,7%).

Desde 2010, ano em que ainda se sentiram os efeitos da grande recessão que teve efeitos a nível mundial, que Junho não apresentava uma variação negativa nas dormidas de estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros. Em termos semestrais, os dados do INE mostram que já se regista um recuo de 0,7% neste indicador de dormidas, com a estada média a recuar 2,6% para 3,17 noites.

A quebra do primeiro mês do Verão, e que marca o início da época alta, só não foi mais expressivo graças aos portugueses. De acordo com os dados da actividade turística do INE, houve uma subida de 3,6% em termos de hóspedes portugueses, e de 3,4% em termos de dormidas.

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Ao todo, houve assim uma estagnação em termos de hóspedes e uma descida de 2,9% nas dormidas em Junho deste ano. Olhando para o primeiro semestre, as variações passam para 2,6% e 0,5%, respectivamente, com as dormidas dos estrangeiros a recuarem 0,7% face aos primeiros seis meses do ano passado.

Conforme já noticiou o PÚBLICO, o mercado britânico, o mais importante para Portugal, está a encolher desde Outubro – depois de uma primeira ameaça em Julho de 2017. Entre as razões para esta conjuntura está a concorrência de outros destinos, como a Turquia, Egipto e Tunísia, a valorização do euro face à libra e perturbações nas ligações aéreas devido a factores como a falência da Air Monarch.

Norte e Alentejo resistem, proveitos sobem

Apesar da descida geral dos turistas estrangeiros, houve comportamentos distintos, conforme a região. Os dados no INE mostram que, em Junho, o Norte (onde se inclui o Porto) conseguiu crescer 3,4%, e o Alentejo 7,3%. Olhando para as quedas, a maior foi a da região Centro (-16,8%), seguindo-se os Açores (-9,7%), Algarve (-7,1%), Madeira (-4,4%) e Área Metropolitana de Lisboa (-2,6%). Em termos gerais, incluindo portugueses, os únicos estabelecimentos que tiveram um comportamento positivo em Junho foram os hotéis de quatro estrelas e os de uma e duas estrelas, com uma subida de 0,5%, enquanto a pior prestação coube aos hotéis-apartamentos de cinco estrelas ao cair 11,8%.

Esta segunda-feira, e reportando-se aos seus próprios dados, via tourism monitors, a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) deu conta de uma descida, em Junho, de 0,7 pontos percentuais da taxa de ocupação quarto, que se fixou nos 81%. Em comunicado, a presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, afirmou que se registou “um Junho atípico, bastante chuvoso e frio, o que pode justificar a quebra da taxa de ocupação na maioria dos destinos”.

Apesar do recuo no número de hóspedes estrangeiros e de dormidas, os dados do INE mostram que os proveitos cresceram, atingindo os 376,7 milhões de euros, o que corresponde a mais 7,5% face ao idêntico mês do ao passado. Mesmo assim, houve um abrandamento do ritmo, já que em Maio o crescimento fora de 9%. A maior subida ocorreu na região de Lisboa, com mais 13,1%, para 114 milhões de euros, e tanto o Centro como a Madeira desceram (-2,2% e -0,3%, respectivamente).

Notícia actualizada às 19h07 com mais informação