Opinião

Venha pechinchar

Neste domingo a partir das duas da tarde, aqui no Largo de Almoçageme que estou a ver da minha janela, será o cortejo de oferendas em que desfilam burros carregados com as ofertas de produtos frescos das hortas saloias.

Haverá em Portugal alguma outra aldeia que vá celebrar o sestercentenário das suas festas, segura que desde 1768 nunca tenha falhado um único ano em 250 anos? É um dos orgulhos que têm Almoçageme e as festas de Nossa Senhora da Graça. Houve anos difíceis mas as festas nunca sofreram qualquer interrupção. Este ano correm de 4 a 9 de Outubro e são sempre muito animadas, bonitas, divertidas e comoventes.

Neste domingo a partir das duas da tarde, aqui no Largo de Almoçageme que estou a ver da minha janela, será o cortejo de oferendas em que desfilam burros carregados com as ofertas de produtos frescos das hortas saloias.

Durante a tarde todas as espécies de fruta, hortaliça e vinho são leiloados no coreto, podendo-se obter verdadeiras pechinchas com a consolação que chegam para toda a gente. É um leilão muito civilizado e felizmente muito longo porque há muita coisa para arrematar.

Os almoçagemenses são pessoas generosas e solidárias e aprende-se com eles a partilhar com humildade o que se tem e o que não se pode comprar ou vender, como o tempo e a ajuda e a compreensão e o respeito pela liberdade de cada um.

O leilão dá sempre um cheirinho das festas que aí vêm que este ano serão as maiores de sempre para que seja inesquecível o quarto de um milénio das festas da Nossa Senhora da Graça. Há sempre caldo verde, bifanas e cerveja.

Depois há a satisfação de saber, até ao cêntimo, quanto dinheiro se conseguiu juntar para ajudar a pagar as festas de Outubro. Aproveite. Apareça por cá!