A cozinha de raiz algarvia brilha neste espaço moderno em Faro

No coração da cidade velha, o Faz Gostos acomoda o turismo sem se deixar contaminar e respeita o gosto e estilo português.

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Rita Rodrigues
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A elegância e o sentido de gosto são as marcas de identidade do Faz Gostos, restaurante que se instalou na cidade velha da capital algarvia há quase uma década. A aventura, ao que parece, terá começado uns anos antes em Olhão, com um posterior salto até Castro Marim antes da mudança definitiva para Faro.

Na origem, ao que nos contaram, um projecto de alma e vocação epicurista que com o tempo e a mudança de gerência acabou por crescer e evoluir para um conceito mais atento ao sentido do negócio, mas sem deixar de manter a vocação do gosto e gastronomia.

Ocupando inicialmente uma ala — e a cave, onde está a adega — de antigos armazéns, o espaço foi criteriosamente adaptado à função, num conceito elegante e cuidado. Atrai também a localização, na Cidade Velha, junto ao Museu Municipal e à Sé Catedral, que parecem ganhar vida e animação com bares e restaurantes de conceitos e culturas diversos. Há um ambiente cuidado, descontraído, que absorve o turismo aparentemente sem se deixar contaminar. Originariamente com entrada pela Rua do Castelo, o Faz Gostos alargou-se depois ao Largo do Castelo, ganhando espaço de bar e uma prazerosa esplanada.

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Na complementar diversidade de espaços actuais é possível sentar 170 pessoas, de forma sossegada, discreta e sem contaminações. Tudo está decorado de forma moderna e elegante, mobiliário cuidado e mesas compostas com a mesma elegância e distinção.

A lista conjuga propostas de inspiração e técnicas modernas com outras do mais puro receituário algarvio, por entre acenos a uma cozinha mais internacional. A garrafeira tem oferta alargada, com opções criteriosas e abrangentes e preços um tanto a olhar para o turista abastado. 

Com a escolha dos pratos procedeu-se também à selecção dos vinhos que, no entanto, começaram logo a ser servidos. E pareceu não ser mero descuido, mas antes propósito do serviço. Só depois o pão, branco e com sementes, também dois patés (atum e salmão) e azeite aromatizado com orégãos, tudo (8€) de boa qualidade, confecção e apresentação.

Das propostas para entradas, o “carpaccio de vieiras frescas com salmão fumado” (12€) foi servido no rolinho elegante, num conjunto fresco e saboroso com rabanete, tomatinho cherry, alface e um agradável perfume de pimenta rosa.

Em grande estilo o “xarém com amêijoas” (8€), em quantidade generosa mas a saber a pouco face à qualidade culinária e intensidade de sabor. Xarém aveludado e quase gelatinoso, com a gordura de torresmos a densificar o sabor em contraste com a leveza dos bivalves. Muito bom mesmo!

No mais, as propostas entradeiras incluíam “amêijoas da nossa ria Formosa à Bulhão Pato”, “folhado de queijo de cabra, nozes e mel”, “salada de espargos grelhados com salmão fumado” e “tomatada com ovos e torresminhos de porco”, com preços a variar entre 8 e 12 euros.

Com tendência internacionalista, a lista apresenta depois três pratos “vegetarianos”, com risotto, raviolis e beringela gratinada com mozarella (12/15€), seguindo-se outros três “pratos com marisco” — fricassé de camarões com arroz de pinhões; risotto de camarão com espargos verdes; e camarões com molho de manga (18/22€) — e seis “pratos de peixe”.

Pediu-se o “robalo na caçarola com amêijoas da ria Formosa e camarão” (28€), um refogado de quantidade generosa e apaladado com pimentos e tomates a que depois se junta o camarão descascado e as amêijoas, que abrem na hora.

Generosa é também a dose de “lombo de bacalhau no forno com vieira” (21€), com dois lombos do gadídeo, puré, legumes ao vapor e um molho com pimentos e tomates a apaladar o conjunto que não entusiasmou pela pouca (ou nenhuma) cura do bacalhau.

A oferta de pratos de peixe abrange ainda “filetes de peixe-galo panados com arroz de tomate e coentros”, “robalo ao vapor com aroma de azeite virgem”, “linguini de tinta de choco com salmão e molho açafrão” e “bacalhau no forno com crosta de broa de milho”, com preços entre 16 e 25€.

Para as carnes, as propostas incluem um “bife da vazia (Black Angus) com molho de cogumelos selvagens”, “bife da vazia à Faz Gostos”, “tornedó com molho Roquefort”, “magret de pato em massa folhada com molho de figos” e “lombinhos de porco recheados com alheira de caça”, variando os preços entre 15 e 25€. Há ainda “empada de perdiz” (20€), com um saboroso refogado que envolve as carnes com sabores rústicos e tradicionais de cogumelos e entremeada de porco. Acompanha de forma elegante com compotas de pimentos (amarelos e vermelho) e uma salada de frutos tropicais (manga, ananás e kiwi), que, sendo um complemento de frescura, acaba por limpar do palato os sabores rústicos e tradicionais que são a essência do prato.

Nas sobremesas, destaca-se o crepe Suzete, o morgado algarvio ou a trouxa de ovos (8€), tudo em companhia de gelados com sabores variados.

Intitulando-se como “referência gastronómica na capital algarvia” e onde “o cliente encontra um ambiente requintado, acolhedor e sugestões gastronómicas de qualidade”, o Faz Gostos é um espaço distinto que acrescenta valor à oferta algarvia, sobretudo porque é capaz de oferecer bons apontamentos da cozinha tradicional e de peixes da região, com o cuidado, a técnica e a apresentação da modernidade.

Se servir de incentivo, gostaríamos até que essa vertente estivesse mais presente e fosse mais assumida pela cozinha, convencidos que estamos que mesmo os “internacionalistas” haveriam de apreciar.

É também pelo ambiente e contexto de zona histórica, tipicamente algarvio e português e sem contaminações ao gosto do turista, que o Faz Gostos é igualmente recomendável.