Câmara de Monchique quer "plano estratégico forte" para a floresta

Primeiro-ministro encontrou-se com os presidentes de câmara de Monchique e de Portimão, um vereador em representação da presidente de Silves.

Arderam mais de 27 mil hectares no incêndio de Monchique
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Arderam mais de 27 mil hectares no incêndio de Monchique Rui Gaudencio

O presidente da Câmara de Monchique disse esta sexta-feira que o incêndio que deflagrou no concelho na última semana é "uma oportunidade de reorganização" da floresta e defendeu um "quadro de desburocratização" para a implementação de um "plano estratégico forte".

"Esta reunião foi bastante produtiva (...). Espero que se possa continuar este trabalho de articulação entre todos os organismos porque será importante definir um plano estratégico forte, porque esta oportunidade tem que ser aproveitada como uma janela de oportunidade para reorganizarmos a floresta e corrigir uma série de erros do passado", afirmou Rui André, depois de o primeiro-ministro ter anunciado medidas de apoio na sequência do incêndio no concelho algarvio.

O autarca falava aos jornalistas após uma reunião com António Costa, outros elementos do Governo e entidades da região do Algarve, depois de ser anunciado que Rui André vai coordenar um "programa de reordenamento económico" da Serra de Monchique.

No encontro participaram os presidentes de câmara de Monchique e de Portimão, um vereador em representação da presidente de Silves, bem como os ministros Adjunto, Pedro Siza Vieira, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e os secretários de Estado do Desenvolvimento e Coesão, do Turismo, da Habitação, da Agricultura e Alimentação, e das Florestas e do Desenvolvimento Rural.

No final do encontro, que se prolongou por quase três horas, o autarca de Monchique sublinhou a importância de um "consórcio" entre todas as entidades envolvidas na recuperação do concelho, bem como criação de "um quadro de desburocratização" na implementação de medidas.

"Houve abertura por parte do primeiro-ministro e dos membros do Governo para criarmos uma medida de excepção, para podermos implementar um projecto inovador e que seja um exemplo", revelou, quando questionado sobre que resposta tinha obtido por parte do Governo.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado na manhã desta sexta-feira, deflagrou no dia 3 à tarde, em Monchique, distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afectado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

A Protecção Civil actualizou o número de feridos para 41, um dos quais em estado grave (uma idosa que se mantém internada em Lisboa).

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência directa do comandante nacional da Protecção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.