Governo negoceia nova valorização das pensões de carreiras longas

O primeiro-ministro diz que está a "negociar" nova medida para as pensões de quem começou a trabalhar muito cedo, para tentar dar mais um "passo em frente".

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Costa em entrevista ao Expresso Rui Gaudencio

Ainda não é garantido, mas fica a promessa no ar. Em entrevista ao semanário Expresso, o primeiro-ministro diz que está a negociar uma nova medida para aliviar as penalizações nas pensões de quem tem muito longas carreiras contributivas - uma exigência da esquerda.

"É uma matéria que estamos a negociar, a trabalhar a procurar encontrar [uma solução], como fizemos com estes dois passos [anteriores]. A ver se conseguimos dar mais algum passo em frente", disse António Costa na entrevista que será publicada, na íntegra, neste sábado, e que ainda ainda abordará o período eleitoral de 2019, os incêndios, a situação na Saúde, o caso Robles e o futuro da procuradora-geral da República, após Outubro.

O Governo negoceia neste momento o Orçamento do Estado para o próximo ano com os parceiros de esquerda (PCP, BE e Partido Ecologista Os Verdes) e esta será, assim, uma das medidas em cima da mesa. No excerto da entrevista ao Expresso, que foi divulgado esta sexta-feira de manhã, António Costa diz que já foram dados "passos decisivos" nesta matéria: "primeiro, a eliminação de qualquer tipo de penalização para quem tenha 48 anos de trabalho e mínimo de 60 anos de idade"; e, depois, "um segundo passo, que foi a possibilidade de reforma aos 60 anos para quem tenha 46 anos de serviço e tenha começado a descontar aos 15 anos de idade".

Este tem sido um dos temas prioritários para os parceiros. O PCP, já referiu, aliás, que quer novo aumento extraordinário de pensões de dez euros em 2019, à semelhança do que tem acontecido nos últimos dois anos, mas logo a partir de 1 de Janeiro (e não de Agosto).

No que diz respeito a pensões, BE e PCP exigem este aumento mas também insistem na valorização de quem trabalhou mais anos. "É uma matéria sobre a qual estamos a trabalhar para procurar fazer justiça agora a quem não a teve a oportunidade de ter a infância que devia ter tido", repetiu o primeiro-ministro.

A solução para as muito longas carreiras contributivas vem sendo adiada há meses, com a esquerda a acusar o Governo de não ter cumprido a promessa de iniciar a segunda fase da revisão do regime das reformas antecipadas a tempo da sua entrada em vigor, em Janeiro deste ano. Com as declarações de António Costa, a solução para estes casos fica definitivamente empurrada para o Orçamento do Estado de 2019.