ONU acusa China de deter em segredo um milhão de uigures

Haverá mais dois milhões de pessoas, uigures e outras minorias étnicas muçulmanas, “em campos políticos para doutrinação”, denuncia comité das Nações Unidas.

Uighurs saem de uma mesquita em Urumqi, Xinjiang, numa fotografia de 2009
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Uighurs saem de uma mesquita em Urumqi, Xinjiang, numa fotografia de 2009 Nir Elias/Reuters (Arquivo)

Um painel da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos humanos revelou nesta sexta-feira, em Genebra, que recebeu vários relatórios credíveis sobre a existência de um milhão de chineses da minoria étnica uigures são mantidos no que aparenta ser um “enorme campo de internamento mantido em segredo”.

Gay McDougall, membro do comité das Nações Unidas para a Eliminação de Discriminação Racial, referiu uma estimativa de que haverá mais dois milhões de pessoas, entre uigures e outras minorias muçulmanas, que foram forçadas a entrar “em campos políticos para doutrinação” na China.

A especialista falou na abertura de uma avaliação de dois dias sobre a conduta da China no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra. Macau e Hong Kong também são incluídos nesta análise. Uma delegação chinesa formada por 50 elementos não fez nenhum comentário imediato sobre estas declarações. A sessão continua na segunda-feira.

Os uigures são uma etnia muçulmana que fala uma língua turca. A maioria vive na região autónoma de Xinjiang, no Nordeste da China. No início do século, existiam dez milhões de uigures na China, diz a Enciclopédia Britânica, e 300.000 no resto da Ásia. Desde a década de 1990 que houve uma grande migração interna para aquela província de chineses da etnia Han, o que levou ao aumento de tensões entre as duas etnias.

Têm-se sucedido atentados de separatistas uigures, muitos com facas, e uma forte repressão policial do Estado central.