Com o novo telemóvel da Samsung nem sempre é preciso tocar no ecrã

O Galaxy Note 9 vem com uma caneta que serve de comando à distância. A marca aproveitou o lançamento do telemóvel para apresentar um relógio inteligente e uma coluna.

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O responsável pelos telemóveis da Samsung, DJ Koh, apresentou o Note 9 em Nova Iorque Reuters/LUCAS JACKSON
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A empresa entrou no mercado das colunas inteligentes Reuters/LUCAS JACKSON
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Com 6,4 polegadas, é o maior ecrã da marca num telemóvel Reuters/LUCAS JACKSON
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Os novos relógios incluem conectividade móvel Reuters/LUCAS JACKSON
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A caneta serve de comando em algumas aplicações Reuters/LUCAS JACKSON

O novo topo de gama da Samsung, o Galaxy Note 9, pode ser usado sem se tocar no ecrã ou falar com uma assistente de voz. Pelo menos, durante cerca de 30 minutos, graças a uma nova caneta, que se liga por bluetooth e que tem um botão para controlar o telemóvel à distância.

O aparelho foi apresentado esta quinta-feira, num evento da Samsung em Nova Iorque. Tem uma câmara mais inteligente, que alerta para fotografias com defeitos (pessoas com os olhos fechados ou marcas de dedadas) e emojis mais realistas. O ecrã tem 6,4 polegadas, o maior até à data. O sistema operativo é o Android 8.1, mais conhecido como Oreo (o Android 9 Pie foi lançado esta semana, mas para um número reduzido de aparelhos). 

O novo modelo tem ainda uma bateria de maiores dimensões, que a Samsung diz durar o dia inteiro. "Hoje apresento um telemóvel com rapidez e poder suficientes para se utilizar em qualquer altura, sem interrupções. É o nosso compromisso convosco", afirmou o presidente da divisão de comunicação móvel da Samsung, DJ Koh.

O destaque, porém, foi para a caneta: a nova S Pen serve como uma espécie de comando à distância, que permite gerir algumas aplicações do telemóvel sem tocar no ecrã. Isto inclui ver vídeos no YouTube (com um clique o vídeo faz pausa, com dois acelera), avançar faixas de música, tirar fotografias, e controlar os slides das apresentações de trabalho quando se conecta o telemóvel a um ecrã. 

A Samsung acredita que podem surgir novas formas de a utilizar no futuro, porque vai ser possível que terceiros criem aplicações para serem usadas com a S Pen.

A autonomia da caneta ronda os 30 minutos: para a recarregar, é preciso guardá-la numa ranhura do telemóvel durante cerca de 40 segundos.

Câmara mais inteligente

O Note 9 mantém as duas câmaras traseiras apresentadas na versão anterior, mas este modelo actualiza automaticamente as definições consoante o que está a ser fotografado.

“Treinámos o sistema da câmara com bases de dados de milhares de fotografias na Internet para aprender o melhor tipo de definições para cada categoria de fotografia”, explicou ao PÚBLICO Jongho Park, um engenheiro da Samsung, numa apresentação do aparelho para jornalistas. “As mudanças afectam elementos simples como o tom, a luminosidade e a saturação da imagem.”

No total, a câmara tem 20 predefinições à escolha, desde imagens de comida a fotografias de detalhes e ambientes muito solarengos. Também consegue perceber quando alguém foi fotografado com os olhos fechados e quando uma imagem inclui sombras de dedos perto da lente. 

O Note 9 vem com uma bateria maior e com uma memória interna entre os 128 e os 512 gigabytes, consoante o modelo. A segunda versão está preparada para chegar a um terabyte de armazenamento – permite cerca de dois milhões de fotografias, mas é preciso adicionar um cartão microSD de 512 gigabytes (o Google oferece aos utilizadores, de Android e iPhone, a possibilidade de armazenamento online ilimitado para fotografias e vídeos).

A pensar nos utilizadores que exigem mais do telemóvel – os que o usam para tirar muitas fotografias ou para jogar jogos – o telefone expandiu o seu sistema de arrefecimento interno. Estes tipos de telemóveis incorporam um recipiente com água no seu interior que é activado quando o sistema está muito quente. O do Note 9 é três vezes maior que o da versão anterior.

O novo Samsung Note 9 está disponível para pré-encomenda a partir de esta quinta-feira, e chega às lojas no dia 24 de Agosto. Custa 1019,99 euros.

A Samsung aproveitou o lançamento do novo telemóvel para apresentar a sua primeira coluna virtual, capaz de funcionar com a assistente digital Bixby, que vem competir com as colunas da Apple, Amazon e Google. A completar a tríade de produtos, está mais um relógio inteligente, o primeiro da gama Galaxy. É compatível com o Note 9, mas também funciona de forma isolada vem com conectividade móvel, algo que permite utilizar o relógio para enviar emails e fazer chamadas. O foco, no entanto, é a saúde, com vários extras para monitorizar os níveis de stress com base no batimento cardíaco e os padrões de sono, e com sugestões de exercícios.

Mercado em queda

O Samsung Note 9 é o terceiro aparelho topo de gama que a Samsung lança em 2018, depois do Galaxy S9 e do Galaxy S9+. As vendas de smartphones, no entanto, continuam em diminuir, com o mercado global, que é liderado pela marca sul-coreana, a encolher quase 2% no segundo trimestre.

Em Portugal, os consumidores estão a gastar mais dinheiro em telemóveis, mas o número de aparelhos que compram é cada vez menor. Nos primeiros três meses de 2018, foram gastos, em média, 305 euros por telemóvel, mais 27% do que nos mesmos meses de 2017, mas foram vendidos menos 3% de unidades.

“É sinal de que o mercado está a ficar saturado”, explica ao PÚBLICO Francisco Jerónimo, o analista da IDC que facultou os valores.“Por norma, quando as pessoas investem num topo de gama, mantêm-no durante cerca três anos.”

No arranque de 2018, foi a Huawei a liderar as vendas em Portugal, ainda que por uma margem muito pequena: conseguiu 25% do mercado (o equivalente a cerca de 151 mil unidades), seguida da Samsung, com 24,5%, e da Apple, com 13,9%.

São os iPhones, porém, onde os consumidores mais gastam dinheiro: o preço médio por aparelho ronda os 662 euros. “Curiosamente, a Huawei, cujos topos de gama são mais baratos que os da Samsung, leva os consumidores a comprarem aparelhos mais caros que a Samsung”, nota Francisco Jerónimo. Em média, em Portugal gasta-se cerca de 321 euros com um aparelho da Huawei, e 316 euros por um aparelho da Samsung. “É sinal que a Huawei está a crescer no mercado premium", refere o analista.

Independentemente da marca, foi o segmento premium que mais cresceu em Portugal, com 19% dos smartphones vendidos a serem topos de gama. “É preciso aumentar o valor dos produtos para manter as receitas. É uma estratégia normal. Os smartphones já têm uma taxa de penetração elevada nos países desenvolvidos e, geralmente, apenas se compram novos quando é preciso substituir um produto”, diz Jerónimo.

O PÚBLICO viajou a convite da Samsung.