Cem Soldos abre as portas para mais um Bons Sons

O festival que envolve a aldeia perto de Tomar na música portuguesa decorre até domingo. No cartaz deste ano há nomes como Salvador Sobral, Selma Uamusse, Slow J, Sara Tavares, Dead Combo, Lena d'Água ou Linda Martini.

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MIGUEL MADEIRA/ARQUIVO

Mais de 40 artistas vão passar até domingo por Cem Soldos, a aldeia perto de Tomar que não só é o cenário do Bons Sons: é o próprio festival, não se passando mais nada por lá nestes dias. Esta quarta-feira já houve uma recepção para quem decidiu acampar neste festival exclusivamente dedicado à música portuguesa, com um concerto e um set DJ, mas o Bons Sons arranca mesmo a sério esta quinta-feira depois do almoço.

E o arranque faz-se com uma actuação, no palco MPAGDP (A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria), de Palankalama, um quinteto instrumental do Porto que dispara para várias das direcções da música folk mundial. Seguem-se nomes como o coro As Vozes de Manhouce, com Isabel Silvestre, na música tradicional, Lince, o nome sob o qual Sofia Ribeiro, teclista e vocalista dos nortenhos We Trust, canta música electrónica a solo, Sacro, uma peça de dança de Sara Anjo, Salvador Sobral, que dispensa apresentações, Selma Uamusse, a multifacetada cantora moçambicana há muito radicada em Portugal, Slow J, o rapper-fenómeno setubalense que também produz e canta, ou um set DJ de Xinobi.

O cartaz desse primeiro dia mostra o eclectismo do festival, uma característica que o director artístico Luís Ferreira sublinha ao PÚBLICO. "A programação é quase toda novidade. Só repetimos quatro bandas e mantemos a mesma lógica de ter nomes consagrados e revelações e de tentar mostrar o presente da música portuguesa nos palcos que programamos", resume. Por falar em palcos (que nunca têm concertos a acontecer em simultâneo, poupando os espectadores a escolhas difíceis), este ano há um novo, o palco Zeca Afonso, "numa nova área de Cem Soldos, antes desconhecida do público", e que também albergará novos serviços e restaurantes. "O próprio desenho do festival mudou, está mais incluído na aldeia, há uma simbiose maior entre os dois", continua.

Além dessas novas zonas, o organizador aponta também como inovações um reforço da tentativa de diminuir a pegada ecológica do festival, com experiências em termos de loiça biodegradável, lâmpadas LED e um uso mais eficiente da energia. Passa também a haver um novo modelo de pagamento: carregam-se as pulseiras do festival e deixa de se pagar com dinheiro vivo.

A edição deste ano, explica Luís Ferreira, decorrerá sob o conceito "amor de Verão", com frases das letras de alguns dos artistas colocadas em paredes à volta da aldeia. Essa ideia estende-se aos concertos-surpresa, que não vêm no cartaz e "vão acontecer pela aldeia em horas e lugares não confirmados": "lugares de amor, indicados pela própria população".

Desafiado a destacar alguns concertos deste Bons Sons, Luís Ferreira afirma que quer ver tudo, mas sublinha alguns dos nomes que lhe despertam mais curiosidade: o jazz do Rodrigo Amado Motion Trio (domingo), o intimismo de Luís Severo (domingo) e Lince (quinta), a "Lisboa mulata" de Selma Uamusse (quinta) e Sara Tavares (sexta), o "nome incontornável da música portuguesa" Salvador Sobral (quinta), "a fusão entre a Lena d'Água e o Primeira Dama" (domingo), Linda Martini (domingo) e PAUS (sábado), que regressam ao festival, "a nova força do hip-hop português" com Slow J (quinta), Isabel Silvestre (quinta), essa "grande senhora da música tradicional", e a "festa em torno de Conan Osiris" (sábado). Ainda assim, ressalva que é "injusto ter de escolher".

Espalhados por oito palcos haverá ainda concertos de Norberto Lobo, Tomara, João Afonso, Mazgani e 10000 Russos na sexta-feira; Ela Vaz, Zeca Medeiros, Sean Riley & the Slowriders e Cais do Sodré Funk Connection no sábado; Monday, Susana Domingos Gaspar, Dead Combo e Moonshiners no domingo.