Crítica

Ser feel good

Comédia “social”, comédia “romântica”, com umas pitadas de comédia de “género”, não há muita coisa a salvar daqui: o seu único propósito é ser feel good.

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Rotina da mais rotineira, nem como filme “despretensioso” de Verão terá alguma utilidade: <i>Pela Borda Fora</i>
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Rotina da mais rotineira, nem como filme “despretensioso” de Verão terá alguma utilidade: Pela Borda Fora

Pela Borda Fora é o “remake” de uma anódina comédia do final dos anos 80 com Goldie Hawn e Kurt Russell, realizada por Garry Marshall. Nesta versão assinada por Rob Greenberg conta-se a mesma histórica trocando os géneros das personagens: Eugenio Derbez é o milionário amnésico, Anna Faris a mulher working class (e despedida pelo milionário) que se aproveita da amnésia dele para o convencer de que são casados e ele é o pai dos filhos dela.


Comédia “social”, comédia “romântica”, com umas pitadas de comédia de “género”, não há muita coisa a salvar daqui: o seu único propósito é ser feel good (quer dizer, dar sempre por garantido que tudo vai acabar bem e todos vão encontrar a felicidade, independentemente do estatuto social), e isso exclui qualquer hipótese de ferocidade, apenas personagens-bonecos a passear a sua fotogenia numa sucessão de cenas em campo-contracampo (exclui também, portanto, qualquer forma de sofisticação ou ambição, tudo é filmado de qualquer forma, na maior indiferença).

Rotina da mais rotineira, que nem chega a ter nada de “espumante”, nem como filme “despretensioso” de Verão terá alguma utilidade.