Kabila não se vai recandidatar à presidência da RD Congo

País atravessa período de tensão por causa do adiamento das eleições e a oposição acusava Kabila de se querer perpetuar no poder.

Joseph Kabila vai abandonar o poder na República Democrática do Congo ao fim de 17 anos
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Joseph Kabila vai abandonar o poder na República Democrática do Congo ao fim de 17 anos Reuters/Kenny-Katombe Butunka

O Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, anunciou nesta quarta-feira que não irá ser candidato às eleições presidenciais de Dezembro, garantindo o cumprimento do limite de mandatos. 

O candidato do partido no poder será o ex-ministro do Interior Emmanuel Ramazani Shadary, actual “número dois” do Partido Popular da Reconstrução e Democracia (PPRD).

A decisão de Kabila pretende pôr fim à tensão que tem dominado o país por causa do  adiamento sucessivo das eleições. O segundo mandato presidencial de Kabila terminou oficialmente em Dezembro de 2016.

A oposição acusou o Presidente de estar a tentar ganhar tempo para se poder apresentar a um terceiro mandato, violando desta forma uma norma constitucional que fixa um limite de dois mandatos consecutivos. Seguiram-se meses de protestos em que a repressão das forças de segurança causou dezenas de mortos.

Kabila e os seus apoiantes defenderam o adiamento das eleições com a justificação de que o Estado não tinha fundos suficientes para actualizar os cadernos eleitorais. O registo populacional é tradicionalmente difícil em África, e na RD do Congo – que é o segundo maior país do continente e onde há áreas em que o Estado tem pouco poder real – é especialmente complexo.

Kabila está no poder desde 2001, sucedendo ao seu pai que tinha sido assassinado.

Apesar da intenção inicial em manter-se no poder, vários países vizinhos, entre os quais Angola, de acordo com a Reuters, terão pressionado Kabila a não apresentar-se a eleições.

O anúncio foi feito pelo porta-voz presidencial Lambert Mende.

A escolha de um aliado próximo como Ramazani Shadary, que foi ministro do Interior e responsável por vários actos de repressão violenta de manifestações, é vista como uma forma de Kabila manter influência mesmo fora da presidência. Após as eleições, Kabila irá manter-se como presidente do PPRD.

Entre os adversários de Shadary vão estar o ex-vice-Presidente, Jean-Pierre Bemba, e o líder do principal partido da oposição, Felix Tshisekedi.