Dezenas de pessoas retiradas das suas casas foram acolhidas em Silves e Portimão

Incêndio lavra desde sexta-feira na serra de Monchique. Pessoas foram retiradas por precaução.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

A palavra de ordem é prevenção. Na noite de segunda para terça-feira, dezenas de pessoas foram retiradas das suas casas e acolhidas em lares, centros de dia escolas ou pavilhões nos concelhos vizinhos de Monchique.

incêndio, que lavra desde sexta-feira, avançou para Silves e Portimão. No fim-de-semana chegou a Odemira, mas aí já foi apagado.

O vento soprava de várias direcções. “Por precaução e para que bombeiros possam trabalhar, pessoas residentes nas zonas afectadas foram deslocadas para local seguro”, explica a presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma. 

“Queremos dar tranquilidade aos operacionais. Queremos que estejam concentrados no combate”, corrobora a presidente da câmara de Portimão, Isilda Gomes. “Não queremos que estejam preocupados em tirar as pessoas de casa.”

No município de Silves, teriam sido “20 a 30 pessoas”. Rosa Palma não conseguia precisar, já que umas tinham passado a noite inteira na EB 23 Doutor Garcia Domingues e outras apenas umas horas. E havia quem tivesse ido para casa de familiares ou amigos.

Os acolhidos ali moram em pequenas localidades, como Falacho, Zebro, Dobra, Farelos. No Falacho, as chamas estiveram "muito perto" das habitações.

Desde sábado que há pessoas a serem retiradas de várias partes do concelho de Monchique. Ao final da manhã de segunda-feira parecia tudo controlado, mas à tarde já tudo se alterada. À noite, foi o desnorte. Algumas pessoas foram acolhidas na EB 2/3 de Monchique. Outras seguiram para concelhos vizinhos.

No Arena, parque de feiras e exposições de Portimão, foram acolhidas mais de uma centena de pessoas. “Neste momento, estão aqui 122, mas já estiveram 144”, diz Isilda Gomes. Algumas de Rasmalho, Portimão. Todas as outras de Monchique.

Aqueles números, actualizados às 15h30 desta terça-feira, incluem 24 crianças entre os oito meses e os 12 anos. “Estamos a dar tudo”, resume a autarca. “Fraldas, papas, leite, brinquedos. Temos camas com lençol de cima, lençol de baixo, manta, almofada. Temos toalhas, balneários. Temos distribuição de comida. E uma equipa de médicos e enfermeiros da Administração Regional de Saúde.”

Em Vila do Bispo, foram acolhidas 46 pessoas. As que têm mobilidade reduzida dormiram no Lar de Sagres, que pertence à Santa Casa da Misericórdia. As outras distribuíram-se pelo Centro de Dia de Vila do Bispo e pelo pavilhão da Escola 2/3 de São Vicente, informou o gabinete do presidente Adelino Soares. Não sabia dizer de que localidades da serra de Monchique provinham. 

Misericórdias de todo o Algarve disponibilizaram-se para acolher pessoas. Pelo menos para já, tudo indica que não será necessário.

As chamas já destruíram mais de 19 mil hectares. Este já é considerado, por isso, um mega-incêndio.