Pentágono quer banir produtos de geolocalização como o Strava e o Fitbit entre os seus militares

Decisão surge meses depois de um mapa global de utilização da aplicação de corridas Strava ter divulgado, inadvertidamente, a localização de várias bases militares secretas.

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Muitos militares norte-americanos utilizam aplicações de corrida quando estão em missão no estrangeiro, partilhando inadvertidamente a sua localização Reuters/LUCAS JACKSON

Os militares norte-americanos destacados em “áreas operacionais” sensíveis, nomeadamente zonas de guerra ou bases militares fora dos EUA, deverão ter de deixar de usar dispositivos e aplicações que registem dados de geolocalização, como as pulseiras e relógios Fitbit ou o programa Strava — produtos especialmente populares entre quem gosta de correr. A orientação partiu do Pentágono e tem efeito a partir desta terça-feira, conforme fez saber em comunicado. No entanto, a decisão final, em cada unidade, cabe ao respectivo comandante.

“Os trabalhadores do Departamento de Defesa estão proibidos de usar as funcionalidades de geolocalização" dos seus dispositivos pessoais ou governamentais em "locais designados como áreas operacionais”, lê-se no comunicado. “Isto inclui auxiliares de fitness [como relógios ou pulseiras]" e "aplicações em telemóveis que rastreiem a localização.”

Estes produtos, que servem para os seus utilizadores manterem um registo do número de passos, distâncias percorridas, calorias queimadas e outros dados, não representam um perigo em sim, mas o Pentágono sublinha que podem dar “aos inimigos informação sobre operações militares”. 

O aviso surge meses depois de ter sido descoberto que, a partir de um mapa da aplicação de corrida Strava que compilava os dados de todos os seus utilizadores, era possível descobrir a localização das bases militares secretas dos Estados Unidos no Médio Oriente. 

“As bases militares norte-americanas estão claramente identificadas e mapeadas”, dizia na altura ao Guardian o jovem analista Nathan Ruser, o primeiro a reparar na falha de segurança. “Se os soldados utilizarem a aplicação como pessoas normais, activando-a quando fazem exercício, isto pode ser especialmente perigoso”, alertava. 

Na altura, era perceptível que vários militares deixavam acidentalmente a funcionalidade de geolocalização permanentemente ligada, o que permitia até mapear várias operações secretas.

“Queremos ter a certeza que não estamos a dar ao inimigo uma vantagem injusta e que não estamos a mostrar a localização exacta das nossas tropas no mundo inteiro”, explicou agora o porta-voz do Pentágono, Rob Manning.

A decisão desta semana não é inédita. Nos últimos anos, as Forças Armadas norte-americanas implementaram sucessivas regras em relação ao uso de redes sociais. Já este ano, foi pedido aos funcionários do Pentágono, nos arredores de Washington, para não levarem os seus telemóveis para áreas do edifício onde se pudesse discutir assuntos especialmente sensíveis.