Arábia Saudita congela relações comerciais com Canadá e expulsa embaixador

O Canadá tinha pedido à Arábia Saudita a libertação de activistas, incluindo as que lutaram pelos direitos das mulheres e estão ainda presas. Além dos cortes comerciais, a Arábia Saudita considerou o embaixador canadiano persona non grata e foi-lhe pedido que saísse do país em 24 horas.

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Uma refinaria na Arábia Saudita Reuters/Ahmed Jadallah

Depois de o Canadá ter pedido a libertação de activistas presos por defenderem direitos civis e das mulheres, a Arábia Saudita respondeu neste domingo com a suspensão de novos investimentos e ligações comerciais com o país, expulsando o embaixador canadiano e pedindo ao seu enviado no Canadá que abandonasse o país.

Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita referiu que o pedido é uma “interferência flagrante” na sua política interna, argumentando ainda que “a atitude negativa e surpreendente do Canadá” tem por base “uma afirmação totalmente falsa e incorrecta”.

Tudo começou quando, na sexta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros canadiano disse estar “muito preocupado com as detenções de activistas de direitos civis e de direitos da mulher na Arábia Saudita, incluindo Samar  Badawi” – activista dos direitos das mulheres e irmã do blogger Raif  Badawi. Pediu às autoridades sauditas a sua “libertação imediata, assim como a de outros activistas de direitos humanos”.

Mas para o regime saudita, agora às mãos do jovem príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, a expressão “libertação imediata” é uma escolha “infeliz, repreensível e inaceitável nas relações entre Estados”.

O embaixador canadiano foi a partir daí considerado persona non grata pelo regime de Riad, sendo-lhe pedido que saísse do país em 24 horas – ao mesmo tempo, o embaixador saudita no Canadá foi convocado para regressar ao país no Médio Oriente.

“Qualquer outra tentativa de interferir com os nossos assuntos internos por parte do Canadá significará que também nós temos permissão para interferir nos assuntos internos do Canadá”, assumiu o ministério saudita, num comunicado partilhado no Twitter, acrescentando ainda que poderia tomar medidas adicionais a qualquer momento.

O Canadá ainda não reagiu às medidas anunciadas pela Arábia Saudita. Já o Bahrein, vizinho e aliado dos sauditas, disse na segunda-feira que está do lado da Arábia Saudita: “O reino do Bahrein mostra a sua total solidariedade com o reino da Arábia Saudita contra todos os que tentem comprometer a sua soberania”, afirmou o Ministério do Negócios Estrangeiros do país no Twitter.

Desde 24 de Junho que as mulheres podem conduzir na Arábia Saudita, algo que proibido há décadas, mas há ainda muitas leis discriminatórias, como as roupas permitidas e o acompanhamento (ou permissão) constante de um “guardião” homem, seja ele pai, marido ou irmão, para viajar, trabalhar ou ter acesso a cuidados de saúde.

Apesar de a decisão do jovem príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman, ter sido aclamada, muitas das mulheres sauditas que lutaram e se fizeram ouvir ao longo dos anos por este direito estão detidas ou foram avisadas de que não deveriam falar publicamente.