A cultura vai voltar a acontecer no antigo Cine-teatro Avenida

Sala de espectáculos faz parte da história da cidade de Aveiro e vai reabrir nas próximas semanas, depois de vários anos largada ao abandono.

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Para os mais velhos, será um regresso ao passado, à sala onde assistiram a muitos filmes e espectáculos; para os mais novos, será a descoberta de um local que faz parte da história da cidade (e também do país) e que tem estado encerrado. O antigo Cine-teatro Avenida – depois de ter sido restruturado e adaptado para outros fins passou a designar-se Edifício Avenida – está prestes a voltar a abrir as suas portas à cultura. Se tudo correr conforme previsto, no próximo dia 15 de Agosto o espaço Avenida Café-Concerto – será este o seu nome - já estará a funcionar e a receber o primeiro evento. Para Setembro fica reservada a abertura do auditório com capacidade para 400 pessoas. “Aí sim, será a grande festa de inauguração”, prometem os responsáveis pelo projecto cultural que irá tomar conta do edifício que serviu de palco, em Abril de 1973, ao III Congresso da Oposição Democrática.

Nas últimas semanas, Hugo Pereira, Patrícia Surrador e António Silva, promotores do investimento que irá devolver o Avenida aos aveirenses e à cidade, não têm tido mãos a medir. Grande parte dos trabalhos de requalificação e arranjos do espaço passa por eles próprios e assim que as pessoas começaram a ter conhecimento da reabertura do espaço, a responsabilidade aumentou. E muito. “As pessoas estão ansiosas, o peso de pegar numa sala com história é grande”, confessa Hugo Pereira. Há mais de sete anos que o público não tem acesso àquele espaço e o último projecto que ali funcionou também não se estendeu no tempo – funcionou entre Novembro de 2008 e Agosto de 2012.

É verdade que o interior do edifício projectado por Raul Rodrigues Lima e inaugurado em 1949 foi alterado – a sala de espectáculos original tinha plateia e dois balcões, com mais de 1.300 lugares no total – mas “a identidade e as memórias do passado” estão lá, realçam os promotores do projecto, ao mesmo tempo que prometem perpetuar essa história ao longo do lanço de escadas que dá acesso à sala do café-concerto, situada no terceiro andar. “Temos aqui vários cartazes antigos e estamos a tentar recolher ainda mais imagens e objectos dessa época áurea para expor nas paredes”, anuncia  Patrícia Surrador.

Definida está já, também, a estratégia de programação e dinamização cultural do equipamento – tanto da sala de café-concerto como do auditório. “A ideia é fazer deste espaço a segunda sala de espectáculos da cidade”, revelam. “A primeira será sempre o Teatro Aveirense e não faria sentido nenhum termos uma programação que atropelasse a do Teatro”, argumenta Hugo Pereira. Nesta “segunda” sala de espectáculos a prioridade passará por dar visibilidade aos “projectos e artistas emergentes”, também “aos mais consolidados mas que não têm encontrado espaço noutros locais da cidade”, prometem, revelando já terem sido contactados por companhias de teatro e dança da região interessadas em actuar no auditório. Por ora, apenas revelam um nome: Rapaz Improvisado, alter ego do músico Leonel Mendes, protagonizará o concerto de estreia do café-concerto. “Para a inauguração do auditório o Hugo já tem aí o nome de uma grande banda mas ainda é segredo”, alvitra António Silva.

Unidos pela ligação à área da cultura

Os três promotores do investimento no Avenida acreditam que o que os une é o gosto pela cultura. Hugo e Patrícia já trabalhavam em parceria – mais concretamente na promotora cultural “Covil”, que vai estar na rectaguarda desta nova sala de espectáculos – e acabaram por conhecer António Silva no Mercado Negro, outro espaço cultural da cidade. “Como a Covil promovia espectáculos no Mercado Negro começámos a trabalhar em parceria e não tardou muito a percebermos que havia potencial para um projecto diferente”, explicam. E ele aí está, prestes a abrir as portas ao público. “Irá criar ainda mais dinâmica cultural na cidade”, vaticinam, realçando ainda essa outra perspectiva positiva: “quando o espaço abrir, irá, certamente, ajudar a dinamizar a Avenida Dr. Lourenço Peixinho, trazendo as pessoas para a rua, criando movimento em toda esta área à volta”.

Mais do que divulgar os números do investimento, os promotores deste projecto cultural preferem destacar os vários mecenas que têm dado uma “ajuda valiosa”, oferecendo vários materiais necessários para a requalificação do espaço. “Tem sido extraordinário ver essa reacção dos empresários e das pessoas em geral, que tentam apoiar, dentro das suas possibilidades, a recuperação deste espaço histórico”, enaltece Hugo Pereira.

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