Brexit

May foi ter com Macron para tentar salvar o seu plano para o “Brexit”

No mesmo dia do encontro entre a primeira-ministra britânica e o Presidente francês, o governador do Banco de Inglaterra avisou que a probabilidade de uma saída do Reino Unido sem qualquer acordo é “desconfortavelmente alta”.
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May e Macron encontraram-se no Forte de Bregancon, residência de férias do Presidente francês na Riviera Francesa LUSA/SEBASTIEN NOGIER / POOL

Numa corrida contra o tempo para reunir apoio ao seu plano para o “Brexit”, a primeira-ministra britânica, Theresa May, interrompeu as férias para se encontrar com o Presidente francês, Emmanuel Macron.

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O encontro informal de duas horas decorreu no forte de Brégançon, residência de férias do chefe de Estado gaulês na Riviera Francesa. Theresa May estava de férias em Itália tendo-as interrompido para se encontrar com Macron, naquela que é considerada uma “operação de charme” por parte da primeira-ministra britânica para que os líderes europeus se juntem a si nas negociações em Bruxelas.

Uma nova ronda negocial entre as equipas de Londres e Bruxelas está marcada para 13 de Agosto. Mas a data que May tem em vista é a da cimeira europeia de Outubro, quando terá de chegar a acordo para a saída ordenada da União Europeia, a 29 de Março de 2019. Além disso, a primeira-ministra britânica ainda tem de negociar os termos da relação do Reino Unido com a UE depois do "Brexit" espera abordar o assunto com os seus homólogos numa cimeira informal agendada para Setembro, em Salzburgo.

O encontro tinha como objectivo esclarecer a “posição de Londres nas negociações do ‘Brexit’ e as futuras relações com a UE”, explicou o Palácio do Eliseu.

Ainda antes do encontro ficou a saber-se que não haveria qualquer comunicação conjunta pois “não cabe a Paris substituir-se a Michel Barnier”, o negociador da União Europeia para o “Brexit”, referiu ainda o Eliseu.

No início de Julho, May chegou a acordo com o seu Governo para traçar o plano para um “soft Brexit”, que prevê o comércio livre de bens industriais e agrícolas com a União Europeia.

Por causa das suas divergências relativamente a este plano, Boris Johnson, ministros dos Negócios Estrangeiros, e David Davis, ministro que tutelava a pasta do “Brexit”, apresentaram a demissão.

Esta semana, Barnier recordou num artigo de opinião publicado em vários jornais europeus que Londres e Bruxelas estão “de acordo com 80% do acordo de saída [do Reino Unido da UE]”. “Mas 80% não é 100%”, acrescentou. “Vamos ser francos, o Reino Unido, tendo decidido sair do mercado único, não ficará tão próximo economicamente do resto da UE”, disse, numa entrevista à rádio BBC.

A pressão sobre May chegou também da parte de Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra, que esta sexta-feira disse que a probabilidade de uma saída do Reino Unido sem qualquer acordo é “desconfortavelmente alta”, pedindo a Londres e Bruxelas que “façam tudo para evitar” este cenário.

As declarações de Carney tiveram um efeito imediato, com o câmbio da libra esterlina a cair para pouco mais de 1,1 euros (1,3 dólares).