Incêndios

Protecção Civil engana-se em alerta SMS e indica número da Glassdrive para informações

Na mensagem enviada, o número de emergência aconselhado começa por 808 em vez de 800. Situação já terá sido corrigida, mas nem todos os destinatários receberam a mensagem com o número correcto.
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Alguns utilizadores só receberam a correcção duas horas depois Rui Gaudêncio

A Protecção Civil enviou nesta quinta-feira alertas de risco de incêndio por SMS à população que está nos distritos de Faro e Beja. Um problema: as mensagens indicam um número errado para informações. O número de telefone indicado pela Protecção Civil para mais esclarecimentos ou informações remetia, na realidade, para o número geral de uma empresa de reparação automóvel, a Glassdrive. O número correcto é o 800 246 246. Na mensagem lia-se 808 246 246.

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O PÚBLICO contactou o número da Glassdrive disponibilizado pela Protecção Civil. A operadora da empresa confirmou já ter recebido "algumas chamadas" de pessoas a pedirem esclarecimentos a propósito do risco de incêndio. Sem especificar um número exacto, a mesma fonte afirmou que todas estas chamadas foram transferidas para a Protecção Civil. "Entretanto fomos informados que a situação já foi corrigida", disse. 

Protecção Civil pede desculpa pelo "lapso"

A Autoridade Nacional de Protecção Civil reagiu pelas 11h30 em comunicado e reconheceu o "lapso" naquela que foi a primeira vez que accionou o sistema de aviso preventivo e "lamentou o ocorrido, bem como os eventuais incómodos causados e apresenta desculpas aos cidadãos e à empresa em causa".

Garante ainda que "tendo sido detectado um lapso no número telefónico constante do SMS, destinado a esclarecimentos complementares, tal foi imediatamente corrigido, tendo as operadoras móveis remetido novo SMS com o número rectificado".

Porém, um dos utilizadores que receberam esta mensagem — e que se encontra no distrito de Faro — disse ao PÚBLICO recebeu a rectificação apenas duas horas depois do envio da mensagem (em duplicado) com o número errado.

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Exemplo das mensagens recebidas pela população DR

Um segundo utilizador, Daniel Sobral, conta que não recebeu sequer nenhum aviso. Pelas 15h, Daniel Sobral, actualmente em Aljustrel, no distrito de Beja, não tinha recebido qualquer alerta da Protecção Civil. Ao PÚBLICO conta que os colegas receberam a mensagem, mas denuncia falhas no serviço de envio de SMS em massa para a população.

Sobre as falhas na recepção das mensagens, a ANPC informa, num comunicado enviado pelas 19h10, que a mensagem preventiva chegou a "chegou a 1.359.499 cidadãos" dos distritos de Beja e Faro, o que equivale a uma taxa de entrega de 89% entre as 8h e as 10h, informa a Protecção Civil. "Se o telefone estiver desligado ou sem rede a mensagem não é entregue pelo que não é considerada nos valores percentuais anteriormente referidos", acrescenta o mesmo comunicado. 

O envio de SMS à população em zonas de risco eminente de incêndios florestais quando tenha sido declarado o nível mais elevado de alerta (vermelho) arrancou no início de Junho.

Para que as mensagens sejam enviadas aos destinatários correctos, a Protecção Civil conta com a colaboração das operadoras de telecomunicações móveis, que remetem a mensagem previamente elaborada pela ANPC para os assinantes ou utilizadores que se encontrem na área de risco em causa.

A medida foi aprovada pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), que autorizou a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) a utilizar dados pessoais de tráfego e de localização de cliente pelas empresas de telecomunicações.

MAI lembra que SMS é preventiva

Esta manhã, o Ministério da Administração Interna esclareceu em comunicado que "o conteúdo dos SMS é definido pela ANPC, enviado por esta Autoridade de forma electrónica para os operadores de comunicações móveis, que por sua vez o remetem para os seus clientes - o que permite que se atinja uma cobertura muita significativa da população".

O comunicado surgiu na sequência não do erro da mensagem enviada esta quinta-feira, mas como resposta a uma notícia avançada pelo Jornal de Notícias em que se diz que a entrega de mensagens de alerta demora 12 horas. 

O MAI sublinha que "o SMS é uma informação de carácter preventivo", quando o estado de alerta é colocado em nível vermelho num determinado distrito ou distritos. E sustenta que "este sistema de avisos à população via SMS foi testado a 19 de Maio de 2018" e que "foi enviado para os números móveis nos distritos de Aveiro e Viseu, num total de cerca de 1,4 milhões de pessoas". Nessa data, "cerca de 90% das mensagens foram entregues nas duas primeiras horas", garante o governo.