“É um erro político estar contra um orçamento que ainda não existe”

Líder do PSD considera que o OE vai ser aprovado depois de “acomodar as reivindicações” do BE e PCP, mas insiste em reservar o sentido de voto para depois. Carlos César também se mostrou optimista e Catarina Martins frisou que o acordo é para a legislatura.

Líder do PSD foi um dos dirigentes partidários ouvidos nesta terça-feira pelo Presidente da República
Foto
Líder do PSD foi um dos dirigentes partidários ouvidos nesta terça-feira pelo Presidente da República LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Se dúvidas houvesse, as últimas três reuniões do Presidente da República com os partidos parlamentares deixaram claro que, neste momento, ninguém está preocupado com a aprovação do Orçamento do Estado (OE) 2019. Marcelo Rebelo de Sousa ouviu esta terça-feira os argumentos de um BE comprometido com o cumprimento da legislatura, um PS muito optimista em relação às negociações e à performance financeira do país e um PSD que, apesar dos riscos de abrandamento económico, está convencido de que o documento será aprovado sem ser preciso levantar-se da cadeira.

Com a estabilidade política dada como garantida, sobrou espaço, no rescaldo desta ronda de audiências, para os partidos serem mais confrontados consigo próprios do que com as opções orçamentais. No caso do PSD, com a divisão interna sobre o sentido de voto que o líder, Rui Rio, continua a adiar, perante uma plateia de críticos que queria ouvir dele um imediato e redondo "não".

“São duas formas muito distintas de estar na política”, respondeu Rio quando questionado com a divisão interna sobre esta posição. “É um erro político estar, à partida, contra um orçamento que não existe. Uns olham mais à componente táctica, outros como eu querem ver o que lá está”, defendeu. Ainda assim, lá foi dizendo que será “dificílimo o PSD aprovar ou mesmo abster-se num orçamento que é feito numa lógica muito distinta” daquela que defende.

E o que foi defender em Belém é que seria bom que o OE2019 tivesse “um orçamento robusto para o país estar prevenido, não para uma crise, mas para um menor crescimento da economia mundial e europeia”. Mas não é isso que pensa que vai acontecer. “O próximo OE, que tenho quase como certo que será aprovado pelos partidos da esquerda, vai procurar acomodar reivindicações do BE e do PCP, espero que com os indicadores adequados, mas tendo como principal preocupação a sua aprovação sem que saiam todos mal”. Por isso, “o PSD está sentado a ver que orçamento vai aparecer”.

Pelo PS, o presidente Carlos César expôs argumentos que vão ao encontro das reivindicações dos partidos à sua esquerda. Prometeu que o próximo orçamento contemplará “o esforço que é preciso fazer para investir nos serviços públicos”, designadamente na saúde, educação, transportes, os pontos mais referidos pelos parceiros parlamentares.

“Nós também andamos pelo país, conversamos com as pessoas e sabemos que há muitos sectores em que a prestação dos serviços públicos ainda não corre como gostaríamos”, disse. Mas atirou para o passado a responsabilidade dessa “degradação”, sobretudo na ferrovia, e para o futuro o retorno do investimento de “milhões e milhões de euros” que está a ser feito agora, naquele sector como na saúde.

Mesmo assim, os socialistas sentem “satisfação” pelo que têm feito: “Ao mesmo tempo que apostámos tanto no combate à pobreza e na melhoria do rendimento disponível das famílias, soubemos preservar as contas públicas e assegurar que a política de investimento não seja um risco de degradação das nossas contas públicas. O PS aprendeu com o passado”, garantiu.

Antes, já Catarina Martins tinha deixado promessas de estabilidade. “O Bloco de Esquerda está tão empenhado como nos anos anteriores numa negociação que permita continuar a reposição de rendimentos. Fizemos um acordo para uma legislatura”, frisou a coordenadora do BE.