Taxistas prolongam greve perante propostas "insuficientes" do Governo

Os taxistas saúdam a “vontade política para solucionar o conflito”, mas acham que as propostas apresentadas para limitar as licenças para a Uber e a Cabify são "insuficientes": querem datas concretas para uma mudança legislativa.

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Paseo de la Castellana, uma das avenidas principais do centro financeiro da capital espanhola Reuters/SUSANA VERA

A greve dos taxistas espanhóis, que tem paralisado as principais artérias de Barcelona e Madrid, está para durar. Depois de mais de quatro horas de reunião entre os representantes das principais associações de taxistas e o Ministério dos Transportes, que teve lugar nesta segunda-feira, não houve acordo com os taxistas. E sem acordo, o protesto, motivado por falhas na limitação de licenças atribuídas a plataformas concorrentes como a Uber e a Cabify, vai continuar indefinidamente. 

Os taxistas consideram que as propostas do Executivo apresentadas na reunião são “insuficiente”, apesar de assinalarem uma “vontade política para solucionar o conflito”, disseram os representantes ouvidos pelo El País à saída da reunião. O encontro foi liderado pelo número dois do Ministério dos Transportes, Pedro Saura, secretário de Estado das Infra-estruturas, Transportes e Habitação.

Durante a reunião, o Governo comprometeu-se em propor, no próximo Conselho de Ministros marcado para esta sexta-feira, que se comece a desenhar um plano e se estabeleça uma data limite para pôr termo ao “desequilíbrio que se criou no sector do táxi”, fazendo cumprir uma lei que tem sido ignorada, lê-se na nota de imprensa do Ministério dos Transportes.

Um decreto-lei aprovado em 2015 impõe um limite à emissão de licenças de aluguer de veículos com condutor para a Uber e Cabify, estabelecendo um rácido de uma licença atribuída a essas plataformas por cada 30 para táxis convencionais. De acordo com os taxistas em greve, esse limite não tem sido respeitado.

Em Setembro, o Executivo irá propor em Conselho de Ministros "uma proposta concreta de modificações normativas", dando seguimento à resolução que será discutida na sexta-feira. Mas o anúncio não satisfez os taxistas.

“Os nossos colegas estão fartos de promessas. Se o Governo não põe uma data sobre a mesa para aprovar as licenças municipais, não podemos evitar que os nossos colegas continuem nas ruas”, disse Alberto (Tito) Álvarez, portavoz de Elite Taxi ao La Vanguardia.

A ocupação das principais artérias das cidades continua — em Barcelona está ocupada a Gran Via e o acesso ao Passeig de Gràcia, um dos principais pontos turísticos; em Madrid para além da Gran Via também já se ocupa o Paseo de la Castellana, uma das ruas principais do centro económico da capital espanhola. Os taxistas interromperam a circulação na estrada e montaram acampamentos onde têm pernoitado.

A greve começou na quarta-feira passada, em Barcelona, mas estendeu-se a Madrid e a outros pontos de Espanha — como Málaga, Sevilha, Castellón, Benidorm, Valência, Alicante e Saragoça, numa altura em que Espanha recebe centenas de milhares de turistas.