Massa de ar quente empurra Portugal para cima dos 40 graus

Calor extremo vindo do Norte de África motiva conferência de imprensa conjunta da Direcção-Geral de Saúde, Protecção Civil e IPMA, com apelos especiais à população. No Alentejo, o termómetro poderá marcar 44 graus.

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Beber muita água, evitar o sol nas horas de maior calor e manter a casa fresca são algumas das recomendações feitas pelas autoridades Miriam Lago/ Arquivo

O Verão português começou com dias cinzentos e relativamente frescos, a fazer lembrar o estio temperado do Norte da Europa. Mas se por lá o mês de Julho foi extraordinariamente quente, o mesmo está reservado para Portugal nos primeiros dias de Agosto. Na próxima semana, as temperaturas máximas vão ultrapassar os 30 graus em todo o território continental. E em alguns pontos, a temperatura ultrapassará mesmo os 40 graus. 

A "culpa" é de uma massa de ar quente e seco vinda do Norte de África e que deverá chegar à Península Ibérica nos próximos dias, como explicou Joana Sanches, meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em declarações à agência Lusa: "Vamos ter uma região depressionária a oeste de Marrocos, que leva à intensificação de uma corrente de leste que vai trazer uma massa de ar quente e seco".

Esta segunda-feira, são esperados 27 graus de máxima em Lisboa, mas a temperatura na capital vai continuar a subir e muito até quinta-feira — que será o dia mais quente da semana, com 38 graus de máxima. Para referência, e de acordo com a Organização Mundial de Meteorologia, refira-se que a temperatura máxima média de Agosto em Lisboa ao longo dos últimos 30 anos é de 27 graus. Na sexta-feira, a máxima desce ligeiramente para os 36 graus, mas manter-se-á acima dos 30 durante o fim-de-semana. 

No Porto, a semana começa com amenos 24 graus de máxima e céu muito nublado, mas o termómetro também vai subir nos dias seguintes. Para quinta-feira, o dia mais quente, estão previstos 33 graus de máxima e céu limpo. Na sexta-feira as temperaturas mantêm-se altas: 31 graus de máxima. Também a norte, mas no interior, em Bragança, as temperaturas atingem os 39 graus na sexta-feira — que será o dia mais quente da semana em Trás-os-Montes.

Mas as temperaturas mais elevadas registam-se mais a sul. Em Castelo Branco, na quinta e sexta-feira esperam-se máximas de 43 graus. Santarém registará a mesma temperatura na quinta-feira, e continuará acima dos 40 durante o fim-de-semana.

Beja vai atingir os 40 graus já na quarta-feira, mantendo-se sob calor extremo até ao fim-de-semana. Ali perto, em Moura, o termómetro poderá registar 44 graus na sexta-feira e no sábado — o valor mais alto previsto para Portugal Continental esta semana.

Já no Algarve, em Faro, onde as temperaturas têm rondado os 30 graus, o pico de calor está reservado para o próximo fim-de-semana, com temperaturas máximas de 35 graus.

Nas ilhas, fora da influência desta massa de calor proveniente do Norte de África, a previsão é de temperaturas quentes, mas mais amenas que no continente. Em Ponta Delgada, nos Açores, as temperaturas máximas estarão acima dos 25 graus, chegando aos 27 graus na quinta-feira. No Funchal, o termómetro chega aos 28 graus a partir do próximo fim-de-semana.

Evitar o calor, beber muita água

Um Agosto tórrido não é de todo inédito em Portugal. Foi aliás em Agosto de 2003 que se registou a temperatura mais elevada de sempre no país — 47.4 graus, na Amareleja, distrito de Beja. Foi o pico de uma das piores vagas de calor da história recente: nesse período (de 30 de Julho a 16 de Agosto), e de acordo com dados de um relatório do IPMA, morreram 1953 pessoas em consequência directa da exposição ao calor. 

São números que nos recordam do perigo que o calor extremo pode representar para a saúde, sobretudo de doentes crónicos, idosos e crianças, pelo que convém repetir alguns alertas. Ao PÚBLICO, o subdirector-geral da Saúde, Diogo Cruz, recomenda que se procurem "ambientes frescos, arejados e climatizados”. Evitar o uso de aparelhos eléctricos que produzam calor, como fornos, é um conselho a seguir para arrefecer a casa.

Durante as horas de maior calor, entre as 11h e as 17h, deve evitar-se a exposição ao sol. Mas se tiver mesmo de sair de casa, recomenda-se a utilização de protector solar (renovado a cada 2h ou depois de banhos de mar ou piscina), chapéu e óculos de sol.

É imperativa a ingestão de água, pelo menos “um litro e meio por dia”, indica o responsável — mesmo que não sinta sede. O álcool é de evitar, uma vez que causa desidratação. A prática desportiva deve ser moderada, evitando as horas de maior calor.

Nesta segunda-feira será realizada uma conferência de imprensa conjunta da Direcção-Geral de Saúde, IPMA e Autoridade Nacional de Protecção Civil para recordar estes e outros conselhos. “Vamos recomendar que as pessoas não cuidem só delas próprias, mas também dos mais vulneráveis: crianças, idosos, pessoas portadoras de doenças crónicas, as grávidas e é muito importante não esquecer os que têm mobilidade reduzida e as pessoas que vivem sozinhas”, afirma Diogo Cruz.

“Vamos pedir às pessoas que tentem contactar e acompanhar os idosos e as pessoas que vivem isoladas, lembrar que se hidratem e permaneçam em lugares frescos e arejados.”

Para além dos cuidados com a saúde, o calor extremo redobra ainda os cuidados com a floresta, com o risco de incêndio a disparar durante os próximos dias. Nestas ocasiões, a Autoridade Nacional de Protecção Civil tem advertido contra a realização de queimadas e fogueiras, a utilização de equipamentos de queima e de combustão, assim como lançar balões com mecha acesa ou qualquer tipo de fogo-de-artifício. Fumar junto de áreas florestadas é outro comportamento a evitar de todos nos próximos dias.

A Protecção Civil recomendou ainda cuidados especiais na realização de trabalhos agrícolas e florestais, nomeadamente “manter as máquinas e equipamentos limpos de óleos e poeiras”, “abastecer as máquinas a frio e em local com pouca vegetação” e, ainda, “ter cuidado com as faíscas durante o manuseamento”, evitando a utilização dos aparelhos durante os períodos de maior calor.