Ricardo Robles: "Procedi de forma exemplar com todos os arrendatários"

Vereador do BE diz que não se demite e que tomou a decisão de dividir o prédio com a irmã e colocar as suas fracções no mercado de arrendamento.

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O vereador bloquista tem um acordo de governação da cidade com o PS Ricardo Lopes

Ricardo Robles, vereador do Bloco de Esquerda na câmara de Lisboa, garantiu que a demissão está fora dos seus planos, depois da polémica em volta de um prédio que comprou com a irmã, em Alfama, e que agora poderá vender por mais de 5 milhões de euros. 

A polémica estalou esta sexta-feira, depois do Jornal Económico ter dado conta que o imóvel, comprado por 347 mil euros estar agora avaliado por 5,7 milhões. O prédio tinha, à data da compra, cinco arrendatários, sendo que desse apenas se mantiveram os que tinham uma fracção para habitação no imóvel. 

Numa conferência de imprensa em Lisboa, na sede do Bloco de Esquerda, o vereador bloquista garantiu que procedeu “de forma exemplar com todos os arrendatários do imóvel”. “É falso que tenha havido qualquer despejo. Procedi de forma exemplar com todos os arrendatários do imóvel. Actuei sempre em coerência com aquilo que defendo para a cidade”, disse.

O vereador explicou que os inquilinos foram saindo por mútuo acordo e pagamento de indemnizações em alguns casos, sendo que um dos inquilinos ali permanece até hoje. “Em vez do despejo que hoje é a regra na cidade de Lisboa, realizei com este casal um novo contrato de arrendamento, agora regular. O contrato é por oito anos e a renda é de 170 euros mensais, explicou, adiantando que a foram feitas obras interiores na casa no valor de 15 mil euros. 

Ricardo Robles disse ainda que apenas um dos inquilinos, o restaurante, não quis sair da sua loja durante as obras de recuperação. “Isto apesar de lhe termos proposto a continuidade do seu arrendamento, após as obras, mediante uma renda actualizada de 270 para 400 euros”, explicou. No entanto, foi “acordada a saída em Outubro de 2016” e paga a “indemnização legal”. Só que o processo ainda corre na justiça, já que o inquilino pede uma indemnização de 120 mil euros pelas benfeitorias realizadas.

O imóvel foi comprado num leilão aberto realizado pelo Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, com recurso ao crédito bancário e ao apoio financeiro dos pais, para ser a habitação da irmã, sendo que as outras fracções seriam destinadas a arrendamento, começou por explicar Ricardo Robles. 

No entanto, o prédio acabou por ser colocado à venda (por seis meses até Abril), ao contrário do plano inicial, porque a irmã do vereador desistiu de regressar a Portugal e, por isso, “teve de refazer o seu quadro de compromissos financeiros”. “Foi nesse contexto que aceitei colocar este imóvel à venda”, justificou Ricardo Robles. 

“Esta compra não foi uma operação especulativa", afirmou, adiantando que decidiu colocar o prédio “em propriedade horizontal, de forma a poder dividir as fracções” com a irmã e colocá-las para arrendamento. “Não venderei a minha parte do imóvel e colocarei as minhas fracções no mercado de arrendamento”, garantiu. 

Na parte final da sua intervenção, Ricardo Robles defendeu que o pedido de demissão feito pela concelhia do PSD não tem "qualquer base". Esta sexta-feira, o PSD Lisboa pediu a demissão do vereador bloquista, acusando-o de "falta de ética, seriedade e credibilidade política", questionando a sua continuidade no cargo de vereador em Lisboa.

Na resposta, Robles afirmou que essa "exigência do PSD não tem qualquer base e que apenas contribui para intoxicar a opinião pública".