Vanessa da Mata: Caixinha de Música é “como uma festa numa casa minha”

A cantora brasileira apresenta em Portugal o seu mais recente trabalho, Caixinha de Música. Esta sexta-feira no Casino da Póvoa e sábado no Casino do Estoril.

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Vanessa da Mata numa das suas apresentações em Portugal NFACTOS/FERNANDO VELUDO

Vanessa da Mata tem vindo a criar novos espectáculos a partir da experiência gerada pelos anteriores, num ciclo criativo que já dista quinze anos do primeiro disco. Caixinha de Música, o mais recente, é, diz ela, o seu trabalho mais electrónico. Em Portugal, vai apresentá-lo em quatro concertos: primeiro nos casinos da Póvoa (dia 27) e do Estoril (dia 28), depois, já em Agosto, em Leça da Palmeira (dia 11) e em Olhão (dia 13).

Nascida em 1975 em Alto Garças, no Estado de Mato Grosso, Vanessa da Mata explica desta forma o novo espectáculo, imaginado durante a circulação do anterior, Delicadeza, que foi apresentado em Portugal em 2016 nos coliseus de Lisboa e Porto: “Tem coisas do Delicadeza, como Mágoas de caboclo ou a experiência de trazer num ritmo diferente um sertanejo mais antigo, que é Vá pro inferno com seu amor. Mas é também o trabalho mais electrónico da minha obra.” Em Delicadeza (2016), criado na sequência de Segue o Som (2014), já havia uma abordagem electrónica, mas contida. “Eram texturas pequenas. Agora a gente usa baixo synth, muitas coisas pré-gravadas no computador, vozes também, bateria electrónica junto com bateria normal, tudo coisas que o Delicadeza não comportava.”

Um lado mais dançante

A razão para esta aposta é antiga. “Desde o início do meu trabalho que as minhas músicas são usadas por DJ. É engraçado que de uma música chamada Gente feliz tiram a voz e colocam em vários remixes, aliás há um novo remix agora, que está com imenso sucesso no Brasil.” Mesmo assim, a electrónica de Vanessa, neste trabalho, “é muito mais silenciosa, mais com texturas do que uma batida fortemente electrónica mesmo, quisemos uma coisa que se encaixasse com o trabalho mas que não o descaracterizasse, embora trazendo um lado mais dançante, de baile, como se fosse uma festa numa casa minha. A caixinha traz uma ideia de intimidade.”

Uma ideia de intimidade e uma ideia de infância? “Os meus pais tinham caixinhas de música e eu vivia com essa [que tinha uma] bailarina nas mãos. E havia outra com um casal que dançava. Uma tinha uma música de Villa-Lobos e a outra era mais pop. A ideia do Caixinha, tanto que a roupa é meio de bailarina, meio lúdica, com espelhos atrás para reflectir, como se fossem da própria caixinha de música, é trazer esse invólucro em volta do público, como se estivéssemos num palco contemporâneo de ideias, como quando um conta uma história e os outros já têm a percepção geral dela. Como se ali estivesse um inconsciente colectivo trazido à tona ao mesmo tempo.”

“Recepção maravilhosa”

O espectáculo Caixinha de Música foi já editado em CD e DVD, gravado ao vivo em São Paulo, e tem, entre originais e regravações, 23 temas, como Valsa do sorrir, Gente feliz, Boa reza, Vermelho, Amado, Ainda bem, Não me deixe só, Segue o som, Baú, Perfume barato, Boa sorte (o tema que ela gravou com Ben Harper) ou Ai ai ai. Em palco, estarão com Vanessa três músicos: Maurício Pacheco (guitarras, baixo, vocais e direcção musical), Rodrigo Braga (teclados e baixo synth) e Ruvício Santos (bateria, bateria electrónica e percussões).

“A recepção no Brasil tem sido maravilhosa”, diz Vanessa. “A gente começou com uma tournée nos Estados Unidos, onde já é a segunda vez que vamos com este trabalho. E no Brasil já fizemos muitas capitais. No Brasil tem havido uma crise horrível, mas ainda assim eu faço muitos shows, estão cheios e eu fico impressionada. Porque não fiz muitas concessões no meu trabalho e, ainda assim, fico com a impressão de que as pessoas investem naquilo que eu faço.”