Família de criança morta em piscina diz que filtro não estava tapado

Rapaz de seis anos estava acompanhado por três adultos que não o conseguiram libertar, segundo a mãe da criança: "O filtro devia estar tapado!"

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Paulo Cunha

Ansie Van Aerschot, a mãe de Vic, a criança de seis anos de nacionalidade belga que morreu na segunda-feira, depois de ter ficado presa no fundo de uma piscina de uma unidade de alojamento turístico, em Azeitão, garante que a criança estava acompanhada quando ficou presa no filtro da piscina.

"Saltámos todos imediatamente para a piscina para o ajudar, mas era impossível soltá-lo", descreve, num comunicado à imprensa. No documento, explica que Vic estava a mergulhar com um amigo na piscina e quando ficou preso na parte mais funda da mesma, com pelo menos 1,90 metros de profundidade, os três adultos presentes saltaram imediatamente lá para dentro. 

Quando perceberam que não o conseguiriam soltar, e numa altura em que a criança ainda estava viva e a tentar soltar-se, ligaram para o 112. "A nossa chamada foi transferida cinco vezes até conseguirmos falar com alguém que falasse inglês", descreve.

Ao mesmo tempo, foram à procura do quadro de electricidade para desligarem o filtro da piscina. "Ninguém sabia onde se encontrava a instalação da piscina. Eu liguei para a [email protected] - a empresa responsável pela propriedade Arrábida Country Retreat (alojamento local) seleccionada pela nossa agência de viagens - e, ao telefone, gritei que o meu filho tinha ficado preso no filtro e estava a morrer na piscina. Eles disseram-me para permanecer calma e que alguém iria imediatamente (...). Nada disseram relativamente à instalação que poderíamos desligar...". 

Os primeiros a chegar foram os bombeiros e "dois deles tentaram soltar o Vic, sem sucesso". Ao contrário da informação avançada inicialmente por fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Setúbal, o rapaz ainda estava preso do interior da piscina quando os socorristas chegaram. "Começaram à procura da instalação, que parecia estar numa pequena casa na estrada de acesso que se encontrava trancada", descreve ainda a mãe, para acrescentar que os bombeiros "arrombaram a porta, desligaram o sistema de filtro e, finalmente, conseguiram soltar" a criança.

Vic esteve assim entre 15 a 20 minutos preso no fundo da piscina. Aplicadas as técnicas de reanimação, foi transportado para o Hospital Dona Estefânia onde viria a morrer, na segunda-feira, dia 23. 

"O filtro devia estar tapado! A aspiração era tão forte que ele nunca teve qualquer hipótese... é inacreditável que isto pudesse acontecer quando uma simples tampa o podia ter evitado", acusa Ansie, justificando a emissão do comunicado com a necessidade de "garantir que será levada a cabo uma investigação rigorosa deste caso e que serão tomadas medidas para impedir que esta tragédia aconteça com outra família". 

A Procuradoria-Geral da República, recorde-se, ordenou a abertura de um inquérito à morte da criança que está a correr no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP). Os pais já estão a intervir no processo na qualidade de ofendidos. 

O PÚBLICO contactou na manhã desta quinta-feira os responsáveis da [email protected], que se apresenta como "uma marca 100% portuguesa com uma oferta diversificada de casas em Portugal para Alojamento Local e um serviço ao cliente personalizado" com casas em diferentes regiões do país, cujos responsáveis recusaram, contudo, prestar quaisquer declarações sobre este caso.

O empreendimento em causa, o Arrábida Country Retreat, tem quatro quartos e capacidade para oito pessoas, com preços acima dos 280 euros por noite.

Os pais de Vic, Ansie e Michael Wanzeele, estavam no último de 15 dias de férias em Portugal quando o acidente ocorreu. O pai tinha saído de manhã cedo, de carro, para levar as malas para casa. A restante família, bem como o casal de amigos que com eles se encontravam, contava deixar o empreendimento após o almoço para irem apanhar o avião que os levaria de regresso à Bélgica.