Cartoonista israelita despedido depois de caricaturar Netanyahu

Avi Katz inspirou-se no livro de George Orwell O Triunfo dos Porcos e representou o primeiro-ministro israelita e os seus aliados como porcos.

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Netanyahu foi um dos grandes defensores da nova lei sobre o estado judaico Reuters/POOL

O jornal israelista Jerusalem Post despediu o cartoonista Avi Katz depois de este ter caricaturado o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e membros do seu partido como porcos. O jornal publicou o cartoon na revista quinzenal Jerusalem Report.

O cartonista inspirou-se no livro de George Orwell O Triunfo dos Porcos, tendo representado o primeiro-ministro israelita e os seus aliados políticos como se fossem os porcos - e cima, a frase de Orwell. "Todos os animais são iguais mas uns são mais iguais do que outros". O livro é uma sátira sobre as ditaduras do proletariado; os animais criam uma sociedade utópica mas os porcos assumem o controlo.

O cartoon no epicentro da polémica é baseado numa fotografia tirada no Knesset (parlamento israelita) e que mostra Netanyahu com membros do seu partido Likud (direita) a tirarem uma selfie, momentos depois da aprovação da lei que declarou Israel como um estado judaico.

A lei retirou direitos às minorias religiosas, sobretudo aos árabes, despromovendo o uso da sua língua. Benjamin Netanyahu foi um dos principais defensores da mudança. 

O Triunfo dos Porcos foi publicado em 1945, na ressaca da II Guerra Mundial, e é uma crítica ao regime soviético, na altura dirigido por Estaline. A narrativa apresenta uma realidade alternativa, onde os animais se revoltam contra os humanos, controlando a sociedade. O líder dos animais é um porco, que inicialmente promete igualdade entre os vários tipos de animais. Contudo, mais tarde, declara que os porcos são superiores às outras espécies.

O cartoon teve uma recepção ambígua nas redes sociais. O desenhador foi acusado de anti-semitismo por ter usado um porco — considerado um animal impuro no judaísmo — para representar o primeiro-ministro.

Devido à polémica, o jornal Jerusalem  Post, detentor da revista onde Avi Katz era colaborador há três décadas, considerou que não existam condições para mantê-lo ligado à Jerusalem  Reporter e decidiu despedi-lo.

"Avi Katz colabora connosco há algum tempo, mas depois de uma reunião editorial decidimos acabar com a nossa ligação profissional", afirmou a direcção do jornal citada pelo The Times of Israel.

O sindicato dos jornalistas israelitas considerou o despedimento "inaceitável" e um jornalista do Jerusalem Post demitiu-se em protesto. Haim Watzman, colega de Avi Katz, não quer “estar associado a um jornal que despede um trabalhador simplesmente porque o seu trabalho incomoda alguns leitores”.

O cartoonista ainda não comentou o despedimento.

Editado por Nicolau Ferreira