Um sonho de décadas está próximo de se tornar realidade em Angeiras

Foi lançada a primeira pedra para a construção do molhe de segurança no portinho de Angeiras. A obra orçada em 3,7 milhões de euros estará concluída nos próximos 18 meses e assinala a última fase do projecto de requalificação encetado em 2016 naquela comunidade piscatória.

Foto
LUSA/MANUEL FERNANDO ARAÚJO

Só falta terminar a última fase para que a comunidade piscatória de Angeiras possa finalmente ver concluída a obra com a qual sonha há décadas. A lota do portinho já foi reabilitada e o aprofundamento do canal de acesso a terra já está realizado. Arrancaram nesta quarta-feira os trabalhos para a construção do quebra-mar que garantirá maior segurança aos pescadores das quase duas dezenas de embarcações que dali saem e para onde regressam todos os dias.

A primeira pedra foi lançada nesta manhã pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, com a ajuda da presidente da câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro. A primeira já lá tinha estado em 2009 quando era secretária de Estado dos Transportes do Governo liderado por José Sócrates. Na altura acompanhada por Guilherme Pinto, presidente da autarquia que cessou funções em 2017, pouco antes de falecer em Janeiro do mesmo ano, prometeu que o molhe seria construído. O autarca apoiou a promessa. A legislatura PS termina, inicia-se o mandato de Passos Coelho e alteram-se as prioridades. O projecto ficou em suspenso.

Em 2016, com a função que agora executa no actual Governo, voltou ao mesmo local para reiterar o que ali tinha prometido. Cansados de esperar, dentro da comunidade, houve quem não escondesse algum cepticismo. Mas se tudo correr como planeado, a obra estará fechada daqui a 18 meses.

Fernando Martinho ainda saía para o mar num barco a remos e já ouvia falar da possível construção de um quebra-mar. “Lutou-se muito para que agora se torne mais próximo de se realizar”, afirma, não escondendo que chegou a questionar se algum dia ia ser construído. Muitas noites não foi possível ir ao mar porque não havia a certeza de que estavam seguros. “Alguns morreram ali”, recorda. Aos 67 anos assistiu ao início da empreitada com a qual o avô, com quem começou a ir ao mar, não pôde contar. 

Uma vitória dos pescadores

“A obra avançou pela teimosia das gentes de Angeiras”, diz o presidente da associação de pescadores matosinhense Propeixe, Agostinho da Mata. “É uma vitória para todos os pescadores da localidade”, não duvida.

Uma vitória que só poderá ser festejada daqui a um ano e meio. Afirma a ministra que espera poder celebrá-la até um pouco antes. Seis meses foram acrescentados à duração dos trabalhos a contar com uma possível paragem durante o período em que as condições meteorológicas não ajudarem.

Há dois anos estimava-se que o valor total da obra, contando com a reabilitação da lota e com o aprofundamento do canal de acesso, rondasse os 4,2 milhões de euros e que estivesse terminada no final de 2018. Em fase mais avançada, adianta-se agora que custará “pouco mais de 5 milhões” e terminará um ano mais tarde do que o previsto. A maior parte do investimento, 3,7 milhões de euros, será gasto na construção do quebra-mar com 448 metros de comprimento. O Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas entra com 75 % dos fundos.

No interior da lota, renovada em 2017, Luísa Salgueiro disse ter sido feita “justiça” pela comunidade local que aguarda agora pela conclusão das obras iniciadas no ano passado no mercado local. Enalteceu ainda a linha de apoio da DGRM – Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, que disponibiliza, em regime de candidatura, 500 mil euros à pequena pesca artesanal e costeira para despesas gastas com o combustível.

Obra prioritária

Ana Paula Vitorino afirma ter retomado a promessa feita em 2009 por entender ser uma obra prioritária por garantir a segurança física e operacional de quem ali trabalha. “O Governo que se seguiu entendeu que não era”, afirma, sublinhando que terá sido este o único motivo para que o concurso público lançado há 10 anos caísse por terra. Após terminada esta última fase diz ser essencial trabalhar em prol de um enquadramento urbanístico “mais adequado” para que a localidade possa atrair mais visitas.

O Presidente da Associação Mútua dos Armadores de Pesca de Angeiras, José Correia, diz que este passo na direcção da conclusão de um objectivo já antigo representa a concretização de um sonho. Actualmente, há 17 embarcações permanentes em Angeiras, comunidade que vive “quase na totalidade, directa ou indirectamente, da pesca”. Considera que podiam ainda existir mais barcos: “Pela insegurança que existe muitos foram desmotivando e deixando a actividade”.