Exportações

“Se conseguirem fazer aqui, fazem em todo o lado”

A comitiva de empresários portugueses dos sectores tradicionais contou, em Nova Iorque, com a secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehman, e com a da banca nacional Best Youth.
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Carlo Allegri

O mote foi dado por Frank Sinatra, na sua música “New York, New York”. A secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehman, diz não ter encontrado melhor referência para descrever “o momento importante” que, acredita, os sectores tradicionais da indústria portuguesa estiveram a protagonizar na passada segunda-feira, ao final da tarde, num dos hotéis de referência de Nova Iorque, o Standard Hotel High Line, com vista privilegiada para o Rio Hudson e Nova Jersey.

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Tratou-se do “showcase Portugal”, onde 29 empresas dos sectores do calçado, do vestuário e da ourivesaria se juntaram para participar num evento que, para além de montra do que se vai fazendo em Portugal nestes sectores, serviu também de importante palco para fazer contactos e negócio. 

“Deixamos aqui uma imagem de modernidade e de sofisticação, mas também de muito orgulho na tradição. E, sobretudo, damos aqui um sinal de que a cooperação entre os sectores faz sentido, para ganhar escala e dar um salto elevado na escala de valor”, afirmou a secretária de Estado, depois de sublinhar que tal iniciativa estava a ser feita “no mercado mais sofisticado do mundo”: “Se é possível fazer aqui, é possível fazer em todo o lado”.

A iniciativa foi organizada pela APICCAPS, a associação do sector do calçado, em parceria com a ANIVEC e a AORP, as associações representantes, respectivamente, dos sectores da confecção e do vestuário, e também da ouriversaria. A primeira vez que os três sectores se juntaram foi no ano passado, em Paris, num evento organizado pela ANIVEC. A abordagem ao mercado nova-iorquino teve direito a cocktail, quatro desfiles de moda e momentos musicais protagonizados pelos portugueses Best Youth. A adesão de retalhistas e clientes norte-americanos, que superou as expectativas, e congregou no Standard Hotel mais de 300 pessoas, foi o barómetro que os empresários precisavam. 

A ambiciosa abordagem ao mercado nova-iorquino teve balanço positivo imediato: “Já ganhámos o palco”, comentou César Araújo, presidente da ANIVEC. Luís Onofre, da APPICAPS, gostou sobretudo de ver tantos compradores entre os convidados e sublinhou a excelente oportunidade de fazer networking (contactos). Fátima Santos, directora geral da AORP, estava muito satisfeita com esta investida ao mercado norte-americano, por já ocupar o quarto lugar nas exportações nacionais do sector.

A data do evento foi escolhida para coincidir com a organização da Market UK, no centro de exposições Javits Center, onde um espaço colectivo com a designação “Portugal” tentava demonstrar, à entrada, em100 m2, as virtudes da oferta portuguesa. Filipe Prata, da Daily Day, uma das marcas de vestuário que participou nesta iniciativa, viu logo resultados. “Não trazemos para a feira apenas amostras, já temos produto acabado. Por isso foi possível já estarmos neste momento a embalar produto para a primeira loja do Soho que vai vender a nossa marca e os nossos produtos”, afirmou.

A aposta do sector do calçado no mercado norte-americano já começou há vários meses. Se na primeira edição da Magic, uma das mais importantes feiras para o sector que decorre em Las Vegas, só havia três empresas inscritas, esse número vai multiplicar por seis na edição seguinte, que decorre em Agosto.