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Rio desafia Costa a viabilizar Governo PSD/CDS se o OE for chumbado

Líder do PSD assume que a questão dos professores é justa, mas ao mesmo tempo diz que a solução que vier a ser encontrada não pode comprometer o Orçamento do Estado de 2019.
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Rui Rio diz que a sua margem de crescimento em termos eleitorais à ao centro LUSA/FERNANDO VELUDO

O líder do PSD, Rui Rio, declarou, esta terça-feira, em entrevista à TVI que, se o Orçamento do Estado para 2019 chumbasse, “em bom rigor, António Costa teria de viabilizar um Governo do PSD com o CDS”. “Ele não disse em 2015 que só chumbou o Governo do dr. Passos Coelho porque conseguia uma maioria à esquerda? Se agora não a conseguisse em coerência, devia dizer 'peço desculpa e apoio um Governo do PSD e do CDS', porque verdadeiramente, o PSD foi o partido mais votado em 2015 e só não está a liderar o Governo por essa razão”, defendeu.

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Numa entrevista em que foram abordados alguns dos temas que estão na agenda política, como o braço-de-ferro com os professores, a redução das 35 horas na Administração Pública e o aumento do Salário Mínimo Nacional para os 600 euros, Rui Rio não deu nenhuma novidade, mas foi um bocadinho além do que tem dito em relação ao conflito dos professores, afirmando que “têm salários baixos”.

Disse também que, se fosse primeiro-ministro, não faria, como Costa, “um discurso político do milagre económico, de que tudo está bem, gerando expectativas" que a seguir não se podem cumprir. E perguntou? “A questão dos professores é justa ou não é justa? Se não é justa, nem pego nela, fica assim, mas eu acho que é justa”. Referiu-se aos professores como uma “classe profissional importantíssima para o desenvolvimento do país – a profissão tem sido de certa forma proletarizada” – e assumiu que “aquilo que pedem é justo". E aproveitou para fazer comparações. “Os magistrados judiciais têm um subsídio de renda quando são deslocados e agora têm o subsídio de renda mesmo que não estejam deslocados”, uma situação que – notou – não acontece com um professor que seja de Bragança e é colocado em Portalegre.

Sem comprometer o orçamento, Rio defendeu que "tem de se encontrar uma solução intermédia, que não pode ser pegar nos nove anos, não sei quantos meses e não sei quantos dias e aplicar por inteiro no Orçamento de 2019". Mas admitiu que os professores sejam compensados antecipando-lhes o momento da reforma, "já que o corpo docente está um pouco envelhecido. Tem que fazer um mix de solução”.

Para o líder social-democrata, o “Governo já tem uma solução para os professores”, provavelmente “dentro disto, que vai acabar por ser moeda de troca para a passagem do orçamento”.

Sobre as sondagens que têm dado o PSD a descer “uns pozinhos”, como referiu, Rui Rio desvalorizou-as, mas deixou claro que não se demitirá do cargo, se as eleições europeias de Maio não correrem bem.

Questionado se Pedro Santana Lopes já lhe entregou o cartão de militante do PSD para estar em condições de criar um novo partido político, respondeu que não e aproveitou para dizer que isso foi sempre um “fascínio” de Santana, criar um dia um partido à direita do PSD. Rio não acredita, no entanto, que o novo partido tire muitos votos ao PSD. E explicou de que forma é que quer crescer: “A margem de crescimento de que estou à procura não é à direita, a margem de crescimento de que estou à procura é ao centro, ao centro naqueles votantes do Partido Socialista que não se revêem na solução com o PCP e o BE, mas fundamentalmente na abstenção, naqueles portugueses que normalmente não votam. E não votam porque falta o quê? Alguém com credibilidade”.