Investigadores criam robôs com “pele de galinha” para mostrar emoções

Uma equipa de investidores nos EUA está a criar robôs que ficam com "pele de galinha" quando se assustam. O objectivo é facilitar a interacçao entre humanos e máquinas.

Ouriço domesticado, ouriço europeu, Advocaat
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Os investigadores inspiraram-se na forma como ouriços-chacheiro e outros animais expressam as suas emoções Amir Cohen/Reuters
Robô, Robô Social
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Os protótipos dos investigadores mostra que está zangado com os olhos projectados no ecrã e com os picos a cobrir a superfície Cornell University
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Os protótipos dos investigadores mostra que está zangado com os olhos projectados no ecrã e com os picos a cobrir a superfície

A relação dos humanos com as máquinas que usam será mais simples quando os aparelhos vestirem as emoções à flor da pele. A tese é de uma equipa de engenheiros da Universidade de Cornell, nos EUA, que se inspirou no trabalho do naturalista britânico Charles Darwin, no século XIX, para criar robôs que mostram como estão a sentir através de mudanças na textura. Para os investigadores, a inovação em robótica foca-se, excessivamente, na locomoção, vocalização, e expressões faciais, ignorando formas alternativas de pôr máquinas a interagir com pessoas. Como Darwin escreveu, em 1872: “É pouco provável que exista uma expressão de movimento mais generalizada do que o levantar, involuntário, de penas e cabelos”.

Agora, quase 150 anos mais tarde, a equipa de Cornell está a criar pequenos robôs sociais para demonstrar o conceito. “Na natureza, os exemplos abundam: "pele de galinha" em humanos, gatos com o pêlo eriçado, os picos de um ouriço-cacheiro. O comportamento é facilmente interpretado, mas até agora não foi utilizado para criar robôs sociais”, justifica a equipa na apresentação das suas pequenas máquinas, em forma de meia-lua, este mês.

Tirando o pequeno ecrã (onde se vêem dois olhos), estão todas cobertas com uma grelha de unidades texturais que alteram a sua forma perante estímulos externos que levam ar a ser bombeado para o interior dos canais. O resultado final – detalhado num ensaio publicado no início do ano na revista de electrónica e engenharia IEEE Spectrum – varia entre picos, agudos, de 20 milímetros e pequenas ondulações (semelhantes à “pele de galinha”) para mapear uma grande gama de emoções da surpresa, à raiva. Se estes robôs tiverem sucesso, a tecnologia pode passar para outras máquinas.

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Os protótipos dos investigadores mostra que está zangado com os olhos projectados no ecrã e com os picos a cobrir a superfície University of Cornell

“Vejo muitos benefícios em introduzir este tipo de sistemas em aparelhos inteligentes, como os smartphones”, diz ao P2, Yuhan Hu, um estudante de doutoramento em engenharia mecânica, que integra o projecto. “Imaginem ter um telefone que muda a textura para expressar diferentes mensagens, música, entre outros. Basta tocar com o telemóvel no bolso, sem o ver, para perceber o tipo de mensagem que se recebeu.”

Para já, um dos maiores obstáculos à tecnologia é o barulho que vem com as mudanças, com ar a ser bombeado para as várias camadas. A equipa acredita, no entanto, que investir na textura pode melhorar a interacção das máquinas com humanos no futuro, ao padronizar sistemas que dão informação táctil, além de auditiva e visual. E, no caso dos robôs humanóides, dá-lhes uma nova dimensão.

“Os robôs não podem ser meras cópias dos humanos”, argumentou Guy Hoffman, o professor de engenharia mecânica e aeroespacial que lidera o laboratório onde está a ser desenvolvido este projecto, durante a apresentação dos robôs. “Os robôs podem ser ‘outras espécies’ que interagem connosco na sua própria linguagem, sem nos copiar.”