Crónica

Palavras, expressões e algumas irritações: festivais

Plural de “festival”, que significa “série de espectáculos de música, teatro ou cinema, que têm lugar num curto período de tempo”. Não são apenas no Verão nem todos patrocinados por grandes marcas

Plural de “festival”, que significa “série de espectáculos de música, teatro ou cinema, que têm lugar num curto período de tempo”.

Numa definição mais completa: “Série de eventos de índole artística, cultural ou desportiva, que decorre ao longo de um determinado período de tempo, geralmente de forma periódica, podendo ou não ter carácter competitivo.”

A primeira vez que explorámos por aqui o sentido desta palavra foi em Agosto de 2014, no pico dos “festivais” de Verão. De música, bem entendido. Agora, antecipamos esses acontecimentos porque também eles começaram a multiplicar-se muito antes no calendário.

Segundo a Aporfest, quase metade dos festivais de música organizados em 2017 (foram 272 no total) não aconteceu no Verão. Os “vencedores” são os de rock, electrónica e hip hop. Mas também os há de jazz e até de fado.

Igualmente se informa que houve 2,5 milhões de pessoas que quiseram assistir a concertos neste tipo de ambiente. Mais mulheres e, no geral, espectadores com menos de 30 anos. Quem tem mobilidade reduzida não se aventurou muito, só 1%.

Mas a ideia de “festival” abrange ainda encontros de teatro, cinema, gastronomia, literatura, artes de rua, etc. Nem todos de grande dimensão nem em grandes centros urbanos, mas de forte dinamismo e interesse para os locais em que se realizam.

Usando sinónimos, são “festas”, “festejos”, “folguedos”, “grandes divertimentos” que se espalham por todo o país, com empenho das autarquias e comunidades, mas com pouca expressão na comunicação social.

O folclore mediático dedica-se mais aos “festivais” patrocinados por grandes marcas e ao sempre ridículo (desculpem lá os mais aficionados) Festival Eurovisão da Canção. O de 2018 parecia mesmo não ter fim. E que bem que terminou

A rubrica Palavras, expressões e algumas irritações encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO