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Nuno Ferreira Santos
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R. Suárez

Os Picos chegam ao pico do centenário

Há cem anos, a 22 de Julho de 1918, Afonso XIII declarava o primeiro parque nacional que, mais tarde, em 1995, se passou a designar Picos da Europa. No espaço protegido mais extenso de Espanha, a natureza chama-nos e esse apelo é irresistível.

Don Alfonso XIII, por la gracia de Dios y la Constitución, Rey de España; A todos los que la presente vieren, sabed: que las Cortes han decretado e Nos sancionado lo seguiente: Se declara «Parque Nacional de la Montaña de Covadonga» el macizo de Peña Santa, cuya delimitación y tambien su Reglamento aprobará el Gobierno, a propuesta de la Junta Central de Parques Nacionales. Dado en San Sebastián a veintidós de julio de mil novecientos dieciocho.”

Assim nascia, completam-se cem anos amanhã, aquele que, mais tarde, em finais de Maio de 1995, já sob o reinado de Juan Carlos I, haveria de passar a ser conhecido mundialmente como Parque Nacional dos Picos da Europa, com uma área próxima dos 70 mil hectares, o que lhe confere o estatuto de espaço protegido mais extenso de Espanha, composto por três principais maciços montanhosos que abarcam outras tantas comunidades autónomas, o principado das Astúrias, a Cantábria e Castela-Leão.

- Honra e responsabilidade.

São as duas palavras que logo assomam aos lábios de Rodrigo Suárez Robledano, director do parque nacional e gestor da reserva da biosfera dos Picos da Europa, reveladoras de quem se sente grato pela experiência e, ao mesmo tempo, na expectativa quanto ao futuro deste imenso espaço verde.

- Uma responsabilidade, já que representamos as muitas centenas de pessoas que, desde 1918, dedicaram a sua sabedoria profissional e o seu trabalho para conseguir fazer deste parque nacional um exemplo de conservação de valores naturais e de apoio às comunidades rurais. E uma honra, na medida em que nos comove exercer a direcção deste espaço neste momento tão significativo, garante ainda o director do parque que acolhe mais de dois milhões de visitantes por ano.

- Após um período de ligeiro decrésimo no número de turistas, motivado pela crise económica que tanto afectou os países do Sul da Europa, o parque voltou a superar, tanto em 2015 como em 2016, os dois milhões de visitantes, números que baixaram o ano passado, mas ainda assim superiores aos dois milhões. O parque nacional dos Picos da Europa foi, nos últimos anos, o terceiro mais visitado entre os parques da Red de Parques Nacionales, depois de Teide (na zona mais alta da ilha de Tenerife) e do da serra de Guadarrama (na Comunidad de Madrid). 

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O parque nacional dos Picos da Europa está situado, sentimentalmente falando, muito próximo de Portugal.

- É importante ressalvar que um grande número desses visitantes são portugueses e que há laços muito fortes que nos unem ao único parque nacional de Portugal (Peneda-Gerês), sem esquecer que os preços praticados pela hotelaria da região são muito económicos (tanto em Cangas de Onís, como noutras aldeias ao longo do vale, come-se bem e por pouco dinheiro).  

O facto de se poder circular com uma viatura, ainda que apenas por estradas estreitas de terra batida, potencia o número de curiosos, satisfeitos por verem os lugares mais sedutores do parque, se não acessíveis de carro, pelo menos de teleférico, a curta distância de um parque de estacionamento.

O polémico lobo-ibérico

Natural de Madrid, onde nasceu há 61 anos, Rodrigo Suárez Robledano é director do parque desde Outubro de 2004 (após mais de seis meses sem director nem presidente), cargo que desempenha depois de uma experiência (entre outras) como chefe do serviço territorial do Meio Ambiente de Segóvia e membro do patronato do parque nacional de Covadonga.

Hoje, quando olha para trás, recorda três datas neste seu trajecto, a sua nomeação como director-conservador e outras duas, de grande importância para o parque, uma em Fevereiro de 2015, quando se obteve a última ampliação do parque nacional, concluindo todo um processo que se foi desenvolvendo em anos anteriores, e a outra, vital para a conservação deste espaço, quando, finalmente, o rio Duje voltou a respirar sem os resíduos do gado.

- Essa situação de contaminação já se arrastava desde a primeira ampliação do parque nacional, em 1995. Felizmente, mediante uma acção concertada do parque nacional, da Confederação Hidrográfica do Cantábrico (órgão gestor da água), do tribunal e da polícia, foi possível suprimir esses despejos e recuperar a vida aquática nesse troço afectado.

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Num espaço protegido tão vasto, os problemas sucedem-se e nos últimos anos a polémica em relação ao lobo-ibérico, ou à política seguida pelos responsáveis do parque nesta matéria, tem ocupado muitas mentes e algumas páginas dos jornais.

- O lobo-ibérico é um dos grandes valores naturais do parque nacional (até há bem pouco tempo, quando se declarou o parque nacional da serra de Guadarrama, era o único que contava com a presença desta espécie emblemática). Mas também a criação de gado extensiva, que tanto contribuiu para conformar a paisagem do parque como o conhecemos. O problema é que o lobo, no parque e nos meses de Verão, quando está ocupado com o gado que acede às zonas mais altas, nada mais tem que fazer do que abandonar o seu covil e encontrar-se com uma vaca.

O director-conservador dos Picos da Europa acredita que tem soluções para satisfazer as diferentes vontades, aplicando normas que tanto podem proteger os proprietários dos animais como a própria espécie.

- O parque nacional segue, em matéria de gestão do lobo, uma política que tem vários eixos: desde logo, uma compensação financeira, actualizada periodicamente mediante o valor das reses, face aos danos produzidos pela espécie. Por outro lado, fazemos um acompanhamento permanente do lobo, de forma a identificar a sua evolução populacional e temos à nossa disposição de elementos preventivos de ataque, como cercas electrificadas fixas, já utilizadas pelos criadores de gado, ou móveis, sem ignorar a investigação de outras possíveis linhas de prevenção e, ainda que excepcionalmente, se o volume de danos o aconselha, se não há outra solução satisfatória, a extracção de um número concreto e limitado de exemplares de alcateias em que se constate a reprodução em alguma das duas temporadas de criação anteriores.

Rodrigo Suárez Robledano tem a noção do que representa o lobo-ibérico como valor natural para o parque mas não pode, neste cenário grandioso, esquecer o papel dos criadores de gado que emprestam as suas vidas, com grande esforço, para manter o carácter dos Picos da Europa.

- A verdade é que o parque nacional está próximo da saturação quanto ao número de alcateias e tenho sérias dúvidas se este ano não se implantaram duas mais, a juntar às seis já existentes, o que significa que a população da espécie está em crescimento no parque.

O lobo-ibérico (canis lupus signatus) é apenas um dos muitos exemplos da variada fauna (e em termos de flora estão registadas mais de 1700 espécies e subespécies, o que representa mais de 20% da flora vascular do país) que caracteriza os Picos da Europa, deste rico património natural onde a caça e a pesca são proibidos.

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Há, por aqui ou por ali, espécies ameaçadas a nível regional e até europeu, mas ainda assim, graças à diversidade paisagística e florística, todos os níveis da cadeia trófica estão representados, podendo encontrar-se, com maior ou menor dificuldade, tanto invertebrados (e os vertebrados, de acordo com inventários realizados pelo próprio parque nacional dos Picos da Europa, ascendem a mais de duas centenas) como grandes predadores, alguns deles já extintos da sua área de distribuição original dentro das fronteiras da Península Ibérica.

Para tanto, a inacessibilidade a que (certas) zonas dos Picos da Europa estiveram votadas antes do espaço ser declarado parque nacional revelou-se de extrema importância, permitindo a subsistência de algumas espécies.

Nos caudais fluviais, relativamente bem conservados, podem encontrar-se cinco espécies diferentes de peixes, entre eles a truta (salmo trutta) e o salmão atlântico (salmo salar), pelo meio de uma variada fauna de anfíbios e de répteis, enquanto nas áreas preenchidas pelos bosques, quase sempre tão silenciosas, são protagonistas as espécies que, ao nível do continente europeu, têm as suas populações em latitudes mais setentrionais e cujos redutos na Península Ibérica se encontram em grande perigo de extinção. Entre eles, o tetraz-grande (tetrao-urogallus), que a cada ano que passa exige maiores medidas para a sua conservação, ao passo que a cabra-montês (capra-pyrenaica) começa a reaparecer, depois da introdução de alguns exemplares na vizinha reserva nacional de caça de Riaño.

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Para os mais ousados

Nem todos se sentem satisfeitos com uma visão, mais ou menos fugaz, dos lugares icónicos do parque — outros há, alguns deles intrépidos viajantes, que pretendem tocar o pico dos picos; contemplar, num dia de uma luz diáfana, o mar Cantábrico; escalar, quando um manto branco de neve cobre tudo à sua volta, os picos, os vales, tudo. Se o parque é acessível para quem se move de carro e não aspira a tocar os céus, os diferentes trilhos que se estendem pelo coração verde das Astúrias são uma tentação permanente para quem gosta — ou pode — de caminhar.  O céu não está vestido com muitas nuvens — mas por aqui é preciso desconfiar dos humores do clima, um único dia pode trazer de tudo, o Inverno, a Primavera, o Verão e o Outono.

Num dia bom, como este, talvez não se revele má ideia percorrer um pouco mais de uma dezena de quilómetros, para lá e outros tantos para cá, começando por deixar para trás, às primeiras horas da manhã, a pequena aldeia de Poncebos (a curta distância de Arenas de Cabrales) entregue ao seu silêncio tão sepulcral às diferentes horas do dia e da noite.

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No início, o trajecto, por vezes duro e, aqui acolá, íngreme, inspira muitas mentes a um regresso precoce aos vales; quando se vence o primeiro desafio, o parque parece oferecer uma recompensa ao viandante e o percurso descobre-se numa linha recta (com umas imperfeições, é verdade), de uma altura que oferece uma panorâmica vertiginosa sobre a garganta que o rio Cares exibe nas suas profundezas.

Escuto-lhe o marulho, a rota segue numa das suas margens, garante o sentido de orientação mesmo a quem nunca o teve, o passeio é como o clima por estes lados, provoca múltiplos sentimentos, ora me torna nostálgico, ora pueril, ora distante, ora próximo, enquanto os olhos se vão plantando aqui e ali — e antes de chegar à aldeia de Caín —, em pontes que ligam as margens do Cares, nesses misteriosos túneis cavados nas rochas, na Garganta Divina, tão profunda, a tal ponto que separa o maciço Central do Ocidental dos Picos da Europa.

O parque é exigente, convida a uma permanência prolongada para quem o quer conhecer na sua intimidade. No maciço central, onde a altitude ganha todo o esplendor dentro dos Picos da Europa, parto de Sotres (o lugarejo mais alto do parque) e, sem grande dificuldade, cruzo os Invernales del Texu (ou Tejo), um grupo de dezena e meia de casas a quase mil metros acima do nível das águas do mar (conhecidas por invernales e onde também é possível chegar de carro) para os pastores guardarem o gado nos meses mais frios.

O trilho vai serpenteando, a paisagem prende todos os olhares, todos os sentidos, passa-se o collado de Pandébano, com vistas impressionantes, subidas e descidas, atravessando a majada de la Terenosa (onde há um refúgio) até que se chega, verdadeiramente grato pelo cenário que se oferece à contemplação, à base do pico Urrielo, também conhecido por Naranjo de Bulnes, erguendo-se, imponente, até chegar aos 2519 metros, uma forte tentação para quem gosta de escalar e possui equipamento e preparação física adequadas — e um perigo constante no Inverno perante a queda, por vezes inesperada, de neve.

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Desligo, por momentos, o olhar do monte mais emblemático (mas não o mais alto, estatuto que é conferido à torre de Cerredo, com 2648 metros, também no maciço central) dos Picos da Europa, assim conhecido devido às suas tonalidades alaranjadas quando exposto aos raios solares, e percorro um trilho que me fará desaguar, lá mais para a frente, em Bulnes, uma minúscula aldeia detida no tempo, tão acolhedora e reconfortante após uma caminhada que, face ao desnível, nem sempre se revela dócil.

Bulnes, com duas dezenas de habitantes e aninhado no meio de magnificentes montanhas com vontade de tocar o céu, é um dos lugares mais encantadores de todo o parque nacional, com as suas casinhas de pedra decoradas com flores viçosas, os seus bonitos telhados, a sua igreja, a sua ponte, tão banhado de uma serenidade que apazigua os espíritos mais exaltados. A Bulnes, sempre envolto nesse manto tão tranquilo, não se chega de carro (nem sequer num veículo todo-o-terreno) e, até 2001, a aldeia esteve praticamente isolada do mundo — a única via de comunicação, estreita e íngreme, era ao longo do canal del Texu, uma situação que muito contribuiu para manter intacto o carácter rural desta aldeia.

Já no início deste século, de forma a potenciar o número de turistas (mas também para facilitar o transporte de produtos de primeira necessidade), foi inaugurado um funicular subterrâneo que liga Bulnes a Poncebos em escassos sete minutos ao longo de pouco mais de dois quilómetros e com um desnível de 400 metros.

É fácil deixar-se enfeitiçar pela beleza estética (em contraste com a inestética do funicular) desta aldeia pitoresca, pelo ar que se respira, pelas panorâmicas, sentado num terraço com vista para um mundo verde ou, em contraste, para os cumes despidos das montanhas, de preferência com um pouco de queijo de Cabrales e um copo de sidra à nossa frente. 

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Decido-me a caminhar um pouco mais, uns dez ou quinze minutos, ao encontro do mirador de Bulnes, de onde abarco com o olhar, uma vez mais, toda a imponência do Naranjo (e, ainda que parcialmente escondida pelas nuvens, a torre Cerredo) esse pico tão inacessível para muitos e tão sedutor para os alpinistas. Regresso a Bulnes, para mais uma errância feliz, para me sentar à sombra de uma árvore, recuperando forças para (uma vez que abdico do funicular) iniciar o percurso até Poncebos ao longo do canal de Texu, pouco mais de uma hora (uns cinco quilómetros) por um caminho por vezes estreito mas sempre tão encantador, observando com respeito os desfiladeiros, essas gargantas que ameaçam engolir-nos ao menor descuido, aqui ou acolá uma corrente de água que nos transporta para o passado, quando, há muitos, muitos anos, um glaciar, nascendo na base do Naranjo, deslizava por este território para moldar a paisagem que nos dias de hoje provoca ondas de espanto em todos os que vivem esta experiência tão gratificante.

Quando Poncebos já se perscruta no horizonte, nada melhor do que um mergulho nas águas geladas e cristalinas do rio, antes de ficar por momentos a admirar a elegante ponte de pedra de la Jaya, uma vez mais com os pés na água, para sentir a temperatura do Cares.

Covadonga e os lagos

Deixo para o fim um dos percursos mais simples, mais visitados, mais acessíveis de carro e não menos belos em todo o parque nacional. Saio de Cangas de Onís quando o sol já ameaça subir nos céus, numa altura em que meio mundo ainda se entrega à sua sonolência, para me deter, daí a uns minutos, nas proximidades da Basílica de Covadonga. Santuário católico, a sua construção iniciou-se em 1877 mas as suas obras, impulsionadas pelo arcebispo de Oviedo, D. Benito Sanz y Florés, para devolver os tempos de esplendor a Covadonga, apenas foram concluídas já no século XX (em 1901), já com a assinatura de Federico Aparici, sucessor do primeiro mentor, Roberto Frasinelli.

Em estilo neo-românico, a basílica foi erguida com pedra rosácea e mármore recolhida das próprias montanhas de Covadonga, destacando-se no seu interior algumas obras de arte, como um quadro de Luis de Madrazo, representando a proclamação do rei Pelayo, ou um outro, de Vicente Carducho, que fala da Anunciação ou, finalmente (por entre capelas e o órgão inaugurado em 2001 que também justificam um olhar), uma imagem de Nossa Senhora esculpida com mestria pelo catalão Juan Samsó.

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Covadonga é um apelo constante para os peregrinos, para os portadores de uma fé inabalável. Nenhum deles, durante uma viagem pelos Picos da Europa, deixa de prestar o seu tributo à Santa Cueva, onde se encontra a Virgem de Covadonga, para os mais íntimos, como os asturianos, carinhosamente designada como La Santina. Em tempos remotos, a capela da Santa Cueva era em madeira mas em 1777, na sequência de um incêndio em que se perderam a imagem da virgem, jóias, cálices, todos os artefactos que a ela pareciam pertencer por direito, optou-se por uma construção mais sólida, menos exposta aos perigos. A senhora que hoje se observa, por vezes com os olhos dos crentes cheios de lágrimas, remonta ao século XVI, sendo proveniente da catedral de Oviedo, um ano após o fogo consumir tudo à sua volta e como recompensa pela perda da imagem original.

Covadonga é, definitivamente, um lugar para os devotos, por vezes ignorado por quem apenas pretende estar rodeado da natureza e dessas montanhas admiráveis, pelo meio de trilhos que, com tantas e invejáveis panorâmicas, são como espasmos de amor. Logo à direita, ainda antes de encontrar a imagem de Nossa Senhora, apresenta-se o sepulcro de D. Pelayo, enterrado numa paróquia próxima, em Santa Eulalia de Abamia, mas mais tarde trasladado, a exemplo dos restos mortais da sua mulher e da sua irmã, para a Santa Cueva. Mais difícil de encontrar é o túmulo de Afonso I e da sua senhora, Hermelinda, filha de Pelayo, ainda assim próximo da capela românica levantada nos anos 40 do século passado, obra considerável do arquitecto D. Luis Menendez Pidal.   Dispondo de um bocadinho mais de tempo e recusando o apelo da natureza, não deixe de reparar, próximo do altar, numa obra assinada por Juan José Garcia para a II Bienal de Barcelona, uma representação da batalha de Covadonga.

Quando Afonso XIII se encontrava no seu refúgio de veraneio, em Julho de 1918, em San Sebastián, certamente que antes de declarar este espaço como parque nacional, muitos anos antes de ser reconhecido, em 2002, pela UNESCO como Reserva de Biosfera, recordou-se de um momento histórico, do 12.º centenário dessa batalha não menos histórica que teve lugar por estes lados, quando D. Pelayo começou a combater os muçulmanos, dando início à Reconquista, materializada séculos depois.

Os Picos da Europa vivem, pelo menos em algumas áreas, do passado mas os seus responsáveis olham o futuro imbuídos desse forte desejo de proteger um espaço tão frágil, tão delicado, de tanta beleza. Quem resiste, sem alguma ponta de emoção, aos majestosos lagos Enol e Ercina, relativamente próximos de Covadonga e de onde partem tantos trilhos que tanto nos podem conduzir a antigas minas como a miradouros como o de Urdiales?

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- É urgente continuar com a planificação do parque nacional que estabelecerá o futuro deste espaço para os próximos dez anos. Os Picos da Europa necessitam de grande tranquilidade, para que se possa trabalhar sem a pressão de tantos interesses sectoriais que incidem sobre ele. O parque tem um grande potencial como factor de desenvolvimento do meio ambiente, mas é fundamental que todos os sectores se mentalizem da grande importância deste espaço como motor económico e como fórmula para atingir um rendimento em forma de consciencialização ambiental das novas gerações. Em resumo e como dizemos por aqui: que todos rememos na mesma direcção. Só assim será possível conservar de forma adequada os recursos naturais, culturais e etnográficos do parque, permitindo, ao mesmo tempo, que seja factor primordial no desenvolvimento das aldeias do interior e meio-ambiente do parque.

Sinto a força das palavras do director-conservador do parque,  Rodrigo Suárez Robledano, um homem que não resiste ao chamamento da natureza. Mas também sinto a força e o carácter (mesmo com a invasão de turistas) em lugares como Cangas de Onís ou Potes.

Talvez graças a Afonso XIII.