Trump ameaça taxar todas as importações chinesas

Por enquanto é só uma ameaça, mas Trump diz estar pronto para chegar aos 500 mil milhões de dólares em taxas alfandegárias se se revelar "necessário".

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, presidente
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LUSA/MICHAEL REYNOLDS

Trump está preparado para subir a parada e anunciar um novo aumento das taxas aduaneiras, desta feita sobre todos os produtos importados da China. O presidente norte-americano diz estar disposto a avançar com impostos alfandegários sobre 505 mil milhões de dólares (cerca de 435 mil milhões de euros ao câmbio actual) – aproximadamente o valor total das importações chinesas pelos EUA em 2017 —, caso se mostre “necessário”.

A guerra comercial entre os dois países já tem meses, mas agora Trump mostra-se disposto a ir mais longe e taxar a (quase) totalidade do valor dos produtos importados da China em 2017. “Estou pronto para chegar aos 500” [mil milhões de dólares] disse o presidente norte-americano durante uma entrevista à cadeia de televisão norte-americana CNBC. O anúncio fez com que os mercados financeiros norte-americanos abrissem em queda no início desta tarde.

Por enquanto, a ideia não passa de uma ameaça. O objectivo é responder às alegadas práticas “desonestas” de roubo de propriedade intelectual por parte da China. De acordo com as leis chinesas, as empresas norte-americanas são obrigadas a partilhar informação sobre tecnologia para se instalarem no país. Para Trump, isso é inaceitável.

“Não estou a fazer isto por [motivação] política, estou a fazê-lo porque é a coisa certa para o nosso país”, disse Trump durante a entrevista à CNBC. “Temos estado a ser roubados pela China há demasiado tempo.”

No ano passado, chegaram aos EUA bens chineses no valor de cerca de 505 mil milhões de dólares, de acordo com os dados fornecidos pelo governo norte-americano à Reuters, originando um défice comercial na ordem dos 376 mil milhões de dólares. E, a avaliar pelos primeiros cinco meses de 2018, o cenário irá manter-se: neste período as importações chinesas rondaram os 205 mil milhões de dólares. Já o valor das exportações norte-americanas foi mais modesto e rondou os 152 mil milhões no mesmo período.

Se as novas taxas aduaneiras avançarem do lado norte-americano, os chineses não irão conseguir retaliar, como fizeram da última vez, dada a discrepância das trocas comerciais entre os dois países.

Este é o mais recente desenvolvimento na guerra comercial disputada pelos dois países. Em Junho, entraram em vigor taxas aduaneiras sobre uma lista de produtos importados no valor de 50 mil milhões de dólares, em ambos os lados do Pacífico. Foram os norte-americanos que primeiro anunciaram a cobrança de taxas nesse montante, mas desde logo os chineses mostraram intenções de retaliar — o que acabou por acontecer, na mesma proporção.

Mas nem só a China tem estado na mira dos norte-americanos. Na quinta-feira, Trump acenou com aumentos das taxas alfandegárias dos produtos comprados ao Canadá, México, Japão, Alemanha e Coreia do Sul.

O aviso também está dado à União Europeia. Em Junho, Donald Trump ameaçou com a imposição de taxas alfandegárias de 20% sobre a entrada de veículos automóveis nos Estados Unidos, a juntar à subida das taxas aplicadas na importação de aço e alumínio europeus. A União Europeia anunciou também a subida das taxas aplicadas às importações de diversos produtos norte-americanos (no valor de 2,8 mil milhões de euros).

Para a próxima quarta-feira está agendada uma reunião entre o chefe de Estado norte-americano e Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia.