Ordem dos Médicos alerta para "ruptura" no centro hospitalar sediado em Vila Real

Em causa está o enceramento de camas, o cancelamento de cirurgias e cortes no financiamento para tratamento de doenças oncológicas.

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Nelson Garrido

A Ordem dos Médicos alertou nesta quinta-feira para uma situação "de ruptura" no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) devido ao encerramento de camas, cancelamento de cirurgias e cortes no financiamento para tratamento de doenças oncológicas.

Após uma reunião com a administração do centro hospitalar, o conselho sub-regional de Vila Real da Ordem dos Médicos revelou, em comunicado, "uma grave situação de ruptura" na instituição.

Segundo a Ordem dos Médicos, o CHTMAD, "por não possuir centros de referência para tratamento de doenças oncológicas em adultos, a partir de Janeiro de 2019 terá um corte de 100% no financiamento atribuído pela tutela para os cuidados prestados a este tipo de doentes, como por exemplo, actos cirúrgicos, primeiras e segundas consultas, quimioterapia e radioterapia".

O conselho sub-regional de Vila Real disse ainda ter sido informado que, "para além do encerramento de camas, têm sido canceladas cirurgias por falta de profissionais".

O encerramento de camas "decorreu da entrada em vigor do regime de trabalho semanal de 35 horas que abrange enfermeiros, assistentes operacionais e técnicos de saúde e também da situação pré-existente de défice de recursos humanos nestas classes profissionais".

A administração do hospital informou ainda que solicitou autorização para a contratação de pelo menos 149 profissionais, mas que apenas foi concedida autorização para contratar 49.

Um número que a Ordem dos Médicos disse ser "claramente insuficiente face às necessidades" e que "apenas evitou o encerramento adicional de camas, não estando prevista mais nenhuma contratação".

"Acresce ainda que a implementação desta medida ocorre numa fase do ano em que a população local aumenta significativamente, sendo previsível uma sobrecarga nos serviços de saúde, nomeadamente no serviço de urgência".

O conselho sub-regional de Vila Real disse estar "seriamente preocupado com as consequências das actuais políticas de saúde governamentais, a que neste caso acresce uma inadequada gestão local e que representam uma séria ameaça para a saúde da população de Trás-os-Montes".

Para a ordem, a "falta de financiamento e planeamento, bem como a deficiente comunicação dos órgãos dirigentes do CHTMAD com os directores dos serviços, centros de gestão e profissionais da instituição, constitui uma grave ameaça à manutenção da prestação adequada dos cuidados de saúde e que poderá conduzir à desqualificação dos serviços, à consequente saída de mais profissionais e à perda de idoneidade de formação pós-graduada.