Reportagem

No Summer Lab da Companhia Paulo Ribeiro, o corpo aprende e o corpo ensina

Companhia de Viseu juntou-se ao Teatro Viriato para criar um programa intensivo de formação em dança. O Summer Lab termina esta sexta-feira, mas vai ter nova edição no próximo ano.

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Estamos a meio da manhã e no palco do Teatro Viriato, em Viseu, frente a uma plateia vazia, 18 bailarinos juntam-se a António Cabrita para duas horas de trabalho sobre o corpo e a dança. Começam com pequenos exercícios. São movimentos de ombros, de cabeça, de braços. Entre indicações em português e inglês, o grupo é encaminhado pelo coreógrafo para exercícios mais complexos de descoberta do próprio espaço. Podia ser um ensaio para um espectáculo a estrear no mesmo palco, mas trata-se apenas de uma das muitas aulas que este grupo está a ter esta semana. Antes desta sessão, já os intérpretes, na sua maioria estudantes profissionais, tinham passado pela dança clássica com Roger Van Der Poel. E até ao final do dia ainda teriam o laboratório coreográfico de Menghan Lou, formação em improviso com João Fiadeiro e técnicas e movimentos com Catarina Carvalho.

Os 18 bailarinos que encontrámos na manhã desta terça-feira em Viseu fazem parte do grupo maior de 41 alunos que conclui esta sexta-feira o primeiro programa intensivo de formação de dança Summer Lab, promovido pela Companhia Paulo Ribeiro e pelo Teatro Viriato. Formadores de renome nacional e internacional e alunos de todo o país, mas vindos também de Inglaterra, Itália e Espanha, juntaram-se durante uma semana para aprender. O programa foi desenhado para proporcionar o acesso aos mais diversos métodos criativos, linguagens artísticas, estilos e práticas de dança, convidando os formandos a passar pela improvisação, pelo processo de criação de uma coreografia e pelo contacto com o método de trabalho e o pensamento artístico de um dos mais reconhecidos coreógrafos da actualidade, Wayne McGregor.

“Queremos dar a oportunidade aos alunos, que não é muito vulgar em Portugal, de estarem com estes formadores”, explica a coreógrafa São Castro, que partilha com António Cabrita a direcção da Companhia Paulo Ribeiro. Na sua opinião, o Summer Lab é uma oportunidade "privilegiada" para descentralizar a formação. “É nosso objectivo que, não só dentro do país, esta oferta formativa se descentralize, porque normalmente estes cursos estão mais localizados nos grandes centros urbanos. Com isto, Viseu, e não apenas estas duas estruturas [Companhia Paulo Ribeiro e Teatro Viriato], fica com o seu nome repetido a nível nacional e internacional relativamente à formação em dança”, sublinha.

Para São Castro, o número de participantes é também revelador da importância do curso. “Para uma primeira edição, ter 41 participantes é fantástico”, refere, anunciando que já estão a ser pensadas as futuras edições. “Com este painel, o difícil vai ser superar”, admite a directora artística, para quem só faz sentido repetir a iniciativa em parceria com o Teatro Viriato, associando uma estrutura de criação a outra de programação.

“Este laboratório de dança é o culminar de uma relação muito estreita que é desenvolvida desde 1999. E é muito interessante que a São Castro e o António Cabrita tivessem vindo para Viseu já com uma ideia de todo o potencial que a cidade já tem e do que pode ainda desenvolver ao nível da dança contemporânea”, realça, por seu lado, Paula Garcia, directora artística do Teatro Viriato.

Desconstruir a dança

Sofia Giro, que diz que um dia vai irá integrar uma grande companhia, integra a “turma” dos estudantes de dança que têm entre 15 e 18 anos. É de Alcochete e não se importou de trocar uma semana de férias pelo curso. Com aulas de dança desde os três anos, chegou agora aos 16 com vontade de criar o seu próprio movimento corporal na dança contemporânea. João Fiadeiro ou São Castro, entre outros nomes da dança nacional e internacional, estão ali para ajudá-la.

“Estou a experimentar coisas diferentes. Esta formação é uma boa oportunidade para descobrir outras técnicas, sair da minha zona de conforto”, conta ao PÚBLICO Leonor Mateus, que é de Setúbal e quer pisar palcos fora de Portugal.

O curso dá também a oportunidade àqueles que não são profissionais mas gostam de dança: professores, gente ligada ao teatro. Para esses, é uma oportunidade para “desconstruir” a dança. “Só pelo facto de ficarmos a perceber como as coisas funcionam e como é feito o que depois vemos em cima do palco, já vale a pena estar presente”, afirma Juliana Gamas.

Nesta formação, “o corpo aprende e o corpo ensina”, sintetiza São Castro. “É o corpo que apreende estas técnicas de dança, mas ao mesmo tempo [o formando] tem a possibilidade de contacto com a composição, com a improvisação e com o pensamento artístico de outros coreógrafos. Todas estas ferramentas são importante para o intérprete gerir depois”, enfatiza a coreógrafa.

O Summer Lab termina esta sexta-feira sem qualquer apresentação ao público, como é normal neste tipo de evento. O objectivo é que os participantes não estejam preocupados com uma apresentação final, com a reacção do público, apesar de pisarem todos os palcos disponíveis quer no Teatro Viriato, quer na escola de dança Lugar Presente.