O veterano Super Bock Super Rock toma o pulso ao presente

Os cabeças de cartaz são The xx, Benjamin Clementine e Travis Scott, mas eles serão apenas parte da história desta edição do festival (afinal, também teremos, entre muitos outros, Anderson .Paak, Stormzy, The The ou Justice).

NOS Alive, The xx
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Os britânicos The xx são cabeças de cartaz na primeira noite do Super Bock Super Rock Torben Christensen/SCANPIX/REUTERS

Chegam os nomes que são figuras consolidadas no cenário contemporâneo e que mantêm uma relação especial com o público português, como os The xx, cabeças de cartaz esta quinta-feira, e Benjamin Clementine, estrela maior de sábado. Temos nesse mesmo dia uma banda-charneira da década de 1980, os regressados The The, uma glória do rock do início do século XXI em Julian Casablancas, vocalista dos Strokes, ou um culto fervoroso a caminho de confirmação – falamos de Sevdaliza, a cantora que foi uma das grandes revelações do mais recente Vodafone Mexefest e que sobe a palco no último dia de festival.

E há, sexta-feira, no segundo dos três dias de Super Bock Super Rock, que se inicia esta quinta-feira e se prolonga até sábado, muito palco e destaque dado ao hip-hop. Seria algo impensável em 1994, quando o Super Bock Super Rock nasceu, mas tornou-se inevitável e indispensável ao festival desde que, em 2016, assistimos à passagem triunfal do furacão Kendrick Lamar pelo Parque das Nações, em Lisboa. Sexta-feira, outro tipo de furacões hip-hop se anunciam: Travis Scott e o presente de batidas lânguidas e esqueléticas, Anderson .Paak e a revitalização do legado soul e nu-soul, Oddisee e todo o jazz a fazer-se ciência rítmica, Princess Nokia e um talento extraordinário ao serviço de uma voz activista, ou Slow J, tornado uma das figuras cimeiras da cena nacional com a edição, no ano passado, de The Art Of Slowing Down – e sábado, muita atenção também ao britânico Stormzy, que emergiu da cultura grime para se assumir com Gang Signs & Prayer como um dos músicos mais influentes, inspirados e interventivos do Reino Unido (aproveitou o palco dos últimos Brit Awards para protagonizar, em versão freestyle, um feroz ataque à primeira-ministra britânica, Theresa May).

Decano em Portugal dos festivais musicais de Verão, na sua versão moderna, o Super Bock Super Rock já foi muitas coisas diferentes desde que, em 1995, levou The Cure, Jesus & Mary Chain, Morphine ou, curiosamente, os Black Company, pioneiros do hip-hop português, à lisboeta Gare Marítima de Alcântara. Ao longo de duas décadas, já se dividiu entre Lisboa e Porto, já foi festival de estádios (o do Bessa e o do Restelo, na edição de 2009) e, entre 2010 e 2014, instalou-se nas proximidades da praia. Os problemas logísticos registados nesse período vivido no Meco, em que a história se fez tanto dos concertos de Prince, Arcade Fire, Portishead ou Eddie Vedder, como das muito incomodativas nuvens de poeira ou das dificuldades sentidas pelo público em chegar ou abandonar a Herdade do Cabeço da Flauta, conduziram a nova mudança. Em 2015, o Super Bock Super Rock voltou à sua vocação original enquanto festival urbano.

Instalado no Parque das Nações, em Lisboa, aproveita a Altice Arena como palco maior, nomeado Super Bock (e uma sala no seu interior, nomeada Somersby, para festa dançante nocturna), e tem frente à escadaria que lhe dá entrada o LG by Rádio SBSR, entregue em exclusivo a músicos e bandas portuguesas. Além destes, surge um quarto palco sob a icónica pala de betão que Siza Vieira criou para o Pavilhão de Portugal (o EDP).

Como tem sido habitual, ao longo dos três dias teremos a possibilidade de tomar o pulso ao presente criativo português. O festival arrancará a toda a velocidade com os endiabrados Parkinsons (17h, Palco EDP) e, nesta quinta-feira, acolherá ainda, no palco LG by Rádio SBSR, Vaiapraia & as Rainhas do Baile, Filipe Sambado e os Acompanhantes de Luxo e Mirror People. Nos dias seguintes, passarão pelo mesmo palco Ermo, Luís Severo e Virtus (sexta-feira) e Pop Dell’Arte, Keep Razors Sharp e Sunflowers (sábado). Isaura apresentará o seu álbum de estreia, Human, no último dia do festival, às 17h30, no palco EDP.

Zé Pedro e Fura dels Baus

Este ano, o Super Bock Super Rock programa dois acontecimentos especiais no seu contexto. Esta quinta-feira, o Palco Super Bock (Altice Arena) será inaugurado às 20h com o tributo Who The F*ck is Zé Pedro, espectáculo de homenagem ao guitarrista dos Xutos & Pontapés, falecido no final de 2017, em que participam amigos e familiares do músico e dos seus companheiros de banda – no concerto veremos também os Palma’s Gang e os Ladrões do Tempo, bandas que Zé Pedro co-fundou, e ouviremos Carlão, Manel Cruz, Manuela Azevedo, Rui Reininho, Tomás Wallenstein, Paulo Gonzo ou João Pedro Pais. Sábado, às 21h30, entre as actuações de Stormzy e de Benjamin Clementine, em novo concerto português para mostrar canções de At Least For New e To Tell a Fly, e imediatamente depois deste e antes da chegada, às 24h, de Julian Casablancas & The Voidz, a Altice Arena será ocupado pelo grupo teatral catalão La Fura Del Baus, cujas produções arrojadas e controversas fizeram deles, nas décadas de 1980 e 1990, um fenómeno de popularidade nas artes do palco – Voando Indoor é o título do espectáculo que apresentarão.

Entre estes dois momentos, encontraremos a diversidade que é a norma num festival que se quer mostrar em consonância com a abrangência e os gostos eclécticos que são marca contemporânea. Os The xx são o destaque no primeiro dia. Depois, a diversidade do Super Bock Super Rock far-se-á da electrónica bombástica (polvilhada de rock, prog ou funk) dos Justice, do psicadelismo dos britânicos Temples e do rock vitaminado dos compatriotas Vaccines, passando pela soul clássica do admirável veterano Lee Fields, pela elegância canastrona de Baxter Dury, pelo rock maliano dos Songhoy Blues ou pela rumba congolesa feita matéria digital de Pierre Kwenders.