Rio quer promover concorrência no SNS para construir uma "alternativa"

Líder do PSD levou vários vice-presidentes e membros da comissão política nacional ao jantar de final de sessão legislativa.

Hugo Soares
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daniel rocha

Rui Rio foi ao jantar dos deputados do PSD desvendar as linhas gerais da sua proposta de reforma da saúde: impor objectivos aos hospitais e reforçar os poderes das administrações hospitalares com o espírito de "promover a concorrência" no sistema, não só entre o sector público e privado mas também entre as unidades públicas.

O líder do PSD levou assim na mão uma “alternativa que não se limita a dizer mal” ao último jantar desta sessão parlamentar, na Assembleia da República, num discurso em que deixou avisos ao Governo sobre a legislação laboral e criticou os resultados das audições de Manuel Pinho e do ministro da Defesa sobre Tancos. Em pouco mais de meia hora, Rui Rio recebeu palmas por três vezes, sobretudo quando apontava o dedo ao Governo.

Depois de fazer um retrato crítico do estado da saúde em Portugal, fruto das políticas actuais mas também decorrentes de problemas estruturais, o líder do PSD defendeu que é preciso “mudar o paradigma” nesta área e que o Estado tem de saber gerir “os três actores do sistema sem complexos ideológicos: público, privado ou social”.

Falando na sala onde diz ter estado pela última vez há 17 anos, depois de ser eleito para a Câmara do Porto, Rio recusa que o debate se faça entre o sector público e o privado. “É como for mais barato, eficiente e com maior qualidade”, disse, propondo um reforço dos poderes das administrações hospitalares. “Temos de estabelecer rácios de gestão e de objectivos e pressionar os piores", disse sem desenvolver. "E temos de criar um sistema de incentivos e penalizações para administrações que consigam atingir os objectivos”, afirmou, revelando assim as linhas do documento sobre o sector da saúde que está a ser preparado pelo Conselho Estratégico Nacional do PSD.

O líder do PSD sublinhou ainda a aposta na prevenção e assumiu ser um defensor da penalização fiscal de alimentos prejudiciais à saúde como o sal ou o açúcar. A mensagem que Rio queria deixar “antes de ir de férias” é que o PSD tem em “construção uma alternativa”. “Podem confiar numa alternativa que não se limita a dizer mal mas sim o que deve ser feito”, afirmou, perante uma plateia de deputados que valoriza mais a oposição ao Governo do que uma proximidade aos socialistas.

Negrão agradece "adrenalina"

O líder do PSD aproveitou para fazer um resumo de um “dia infeliz para a democracia portuguesa”. Por um lado, porque o ministro da Defesa Azeredo Lopes “não explicou rigorosamente nada” sobre o caso de Tancos. “Fica no ar a pergunta: não esclareceu porque não quer ou, pior, porque não sabe”, questionou. Por outro, por causa do ex-ministro Manuel Pinho que, na comissão de Economia, não respondeu se terá recebido pagamentos pelo grupo BES. “Ao não responder, respondeu”, disse, recebendo a primeira salva de palmas da noite.

Rui Rio chegou ao restaurante da Assembleia da República pouco depois da hora marcada e foi cumprimentando os deputados que se encontravam no terraço junto ao espaço de refeições. A uns, fê-lo de forma mais seca; com outros, foi mais simpático e sorridente, trocando algumas palavras. Sentou-se depois à mesa onde estavam vários vice-presidentes do partido como Salvador Malheiro, Isabel Meirelles, Elina Fraga e Castro Almeida (mas não Morais Sarmento nem David Justino), e membros da comissão política nacional, além de Luís Filipe Pereira, coordenador para a Saúde. A mesa de honra era assim a maior do restaurante com 25 membros quando as restantes sentavam entre nove a dez deputados.

Ainda antes do discurso de Rui Rio, o líder da bancada, Fernando Negrão, fez um discurso curto mas que provocou risos na sala. “Foi uma sessão cheia, com muita adrenalina, cheia de emoções e queria agradecer aos deputados que me proporcionarem isso”, disse. E, depois de já ter um choque público com o líder do partido, Negrão assumiu: “Gosto de emoções e de adrenalina.”