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La Rebelión está aberta na Rua de Cedofeita desde o dia 25 de Abril. Paulo Pimenta
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Marco é mapuche e está em Portugal há um ano. Paulo Pimenta
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A loja aposta no tema da Animal Liberation Paulo Pimenta
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A música de Bob Marley transmitia uma mensagem de paz. Paulo Pimenta
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São várias as figuras políticas do passado e contemporâneas representadas na loja. Paulo Pimenta
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Na La Rebelión encontram-se também figuras do folclore mexicano, maia e azteca. Paulo Pimenta
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A loja vende ainda vestuário ligado a movimentos socio-culturais dos anos 50, 60 e 70. Paulo Pimenta
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O merchandising da La Rebelión promove a aceitação e igualdade. Paulo Pimenta

La Rebelión leva a revolução ao centro do Porto

Cruza o tempo e o espaço e dedica-se a homenagear movimentos e personalidades revolucionárias. Desde livros a acessórios, quadros e vestuário, La Rebelión leva o mundo inteiro para o centro do Porto.

Che, Marx, Frida, Joplin, Fidel, Assange, Lennon e Marley. Da política à arte, estes nomes evocam figuras emblemáticas que habitam agora na Rua de Cedofeita, bem no centro do Porto. La Rebelión é a "primeira loja portuguesa" a dedicar-se exclusivamente à comercialização de produtos inspirados em movimentos activistas e personalidades revolucionárias.

Mais do que livros, vestuário, acessórios e objectos utilitários ou de decoração, este espaço que cruza o tempo e o espaço oferece a quem o visita a possibilidade de conhecer grupos e organizações revolucionárias, como a Animal Liberation Front e o Exército Zapatista de Libertação Nacional.

No fundo, La Rebelión é um local de homenagem a quem ficou na história pelo esforço em mudar consciências e o status quo. “Na pintura e na arte temos Frida Khalo, na música John Lennon, Janis Joplin, Raul Seixas e Bob Marley — que no fundo não são só compositores, mas pensadores também”, enumera a proprietária, Tita Alvarez. Che Guevara, Fidel Castro, Karl Marx ou o Subcomandante Marcos constituem algumas das figuras do panorama político, a par de Julian Assange e dos grupos Anonymous e Zeitgeist.

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O espaço é decorado com retratos de muitas personagens que marcaram o século XX. Paulo Pimenta

Começaram por vender simplesmente artigos de comércio justo relacionados com grupos ou personalidades, mas agora vão mais longe. “Por exemplo, a Frida Khalo é mexicana e as pessoas querem saber mais sobre o México, então estamos a pegar em peças do folclore mexicano, como a Santa Muerte, La Catrina do Dia dos Mortos e peças Maias e Aztecas.”

La Rebelión apoia ainda a causa LGBTI e tem uma secção dedicada à geração “beat” e ao “flower power”, assim como um conjunto de livros do “grande visionário e inventor” Júlio Verne, peças de “steampunk” e vestuário militar associado às guerrilhas revolucionárias.

“Então vocês são anticapitalistas e abrem uma loja?”

Quis o acaso que abrisse portas nem mais nem menos no Dia da Liberdade (25 de Abril) e, de segunda a sábado, quem toma conta da pequena loja é Marco. Há uns anos acolheu Tita no Chile e recentemente mudou-se para Portugal. Sendo mapuche – comunidade indígena original do Chile e da Argentina —, acaba por se tornar “uma personagem exótica” e a cara da La Rebelión.

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A loja vende livros ideológicos, de poesia, ficção e biográficos. Paulo Pimenta

O sentimento que deu origem à La Rebelión foi “o amor pela humanidade” e “a esperança num mundo melhor” e Tita mostra-se surpreendida com o sucesso deste espaço, que se quer “do povo e para o povo”. Na loja, já fez amizades e ouviu histórias inesperadas, por exemplo de um ex-combatente sandinista e de um jovem com uma fotografia tirada ao lado do líder do movimento zapatista.

“Houve uma guia turística de Barcelona que entrou com um grupo de australianos e ficou parada, de boca aberta e a olhar para os quadros, até que começou a chorar”, recorda a proprietária. “Contou que tinha raízes de reivindicação e activismo e que nunca tinha visto algo assim”, acrescenta.

Ainda Maria Celeste (Tita, desde sempre) mal falava e já acompanhava o avô, foragido da Guerra Civil espanhola, em comícios e manifestações. “O meu pai chamava-me rebelde porque era muito contestatária”, afirma, com um largo sorriso no rosto. “É uma coisa que faz parte de mim, se me tirassem isso não era a Tita.”

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Tommy acompanha Tita em todas as manifestações. Paulo Pimenta

A maior parte dos produtos são importados de pequenas cooperativas locais de comércio justo que compram directamente ao produtor e, por isso, conseguem praticar preços acessíveis: há livros a custar menos de três euros, crachás a 1,5 euros e t-shirts a 14,95 euros. “Já aconteceu uma ou duas pessoas entrarem aqui na loja e dizerem ‘Então vocês são anticapitalistas e abrem uma loja?’, e eu pergunto se eles acham que se quiséssemos ficar ricos abríamos uma loja como esta”, conta, com Tommy, o cão, ao colo.

Para já, as receitas de La Rebelión são “para pagar as contas” (e “tê-las debaixo de olho”), mas Tita garante que no futuro pretende doar anualmente uma percentagem do lucro a organizações com cujos valores se identifica. No futuro, o objectivo é continuar a "apostar nos movimentos e nas pessoas que fazem o mundo andar" e promover actividades culturais, artistas e associações de solidariedade — sempre com o espírito de rebeldia presente.