Jean Rouch e Anna Magnani, contrabando e aldeias minhotas no Festival de Melgaço

Quinta edição do festival de documentarismo Filmes do Homem decorre de 30 de Julho a 5 de Agosto.

M preto, banco, sentado
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Jean Rouch em 1995,Jean Rouch em 1995 DR,DR
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Manoel de Oliveira e Jean Loup Passek em En Une Poignée de Mains Amies DR
M - Museu Leuven
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Museu de Cinema de Melgaço Jean Loup Passek Fernando Veludo/NFactos

Uma homenagem a Jean Rouch (1917-2004), uma exposição de fotografias da actriz italiana Anna Magnani (1908-1973) e uma secção competitiva com 27 filmes provenientes de dezena e meia de países integram o programa do Festival Internacional de Documentário de Melgaço Filmes do Homem, cuja quinta edição vai decorrer entre 30 de Julho e 5 de Agosto.

O festival – diz a organização, que esta terça-feira apresentou o programa do quinto Filmes do Homem em conferência de imprensa no Porto – tem por objectivo "promover e divulgar o cinema etnográfico e social, reflectir sobre a identidade, a memória e a fronteira, e dinamizar o Museu do Cinema de Melgaço Jean Loup Passek", um equipamento inaugurado em 2005, na sequência da doação ao município por este historiador e crítico francês dos seus arquivos e colecção de memorabilia cinéfila.

A obra do cineasta e etnólogo francês Jean Rouch, de quem no ano passado se assinalou o centenário, será evocada na presença da sua viúva e presidente da fundação com o nome do realizador, Jocelyne Rouch, que inaugurará, a 3 de Agosto, na Casa da Cultura de Melgaço, a exposição de fotografia A Descida do Rio Níger. Serão também exibidos o seu filme Chronique d'un Été (1961), co-realizado com o sociólogo Edgar Morin, e Un Été + 50 (2011), o documentário que Florence Dauman dedicou, meio século depois, à releitura dessa obra fundamental do movimento cinéma-verité. Também presente em Melgaço estará a realizadora iraniana Mina Rad, que virá mostrar, em estreia portuguesa, o seu filme Contes Persans, Jean Rouch en Iran, que documenta a influência do cineasta francês nesta cinematografia.

O programa dedicado a Jean Rouch inclui ainda a exibição do pequeno filme que o documentarista francês co-realizou com Manoel de Oliveira no Porto em volta das pontes do Douro, En Une Poignée de Mains Amies (1997).

Na vertente competitiva, o Filmes do Homem acolhe 13 longas e 14 curtas e médias-metragens. Estas obras concorrem ao Prémio Jean Loup Passek e serão avaliadas por um júri constituído pela realizadora eslovena Jasna Krajinovic (vencedora do principal prémio do festival de Melgaço no ano passado, com a longa-metragem La Chambre Vide), a italiana Luciana Fina, a galega Margarita Ledo e ainda Ricardo Vieira Lisboa e Luís Miguel Oliveira (crítico do PÚBLICO).

A programação paralela inclui seis exposições de fotografia, entre as quais se destacam a dedicada à diva italiana Anna Magnani (Roma, Cidade Aberta; Mamma Roma; Roma de Fellini) no Museu Jean Loup Passek, com curadoria de Bernard Despomadères; Pedra e Pele, de João Gigante, sobre o quotidiano da freguesia de Parada do Monte; e Quem somos os que aqui estamos? Em trânsito, um projecto coordenado pelo geógrafo Álvaro Domingues incidindo também sobre os arquivos fotográficos daquela aldeia do concelho de Melgaço.

Como nas edições anteriores, o festival promove uma residência cinematográfica e fotográfica acolhendo 12 alunos ou recém-formados nestas áreas, com o objectivo de “contribuir para a constituição de um arquivo audiovisual sobre a região, que registe e preserve as memórias locais que, de outra forma, poderiam perder-se", diz a organização.

O programa do festival inclui também a realização de workshops dedicados aos temas Arquivo e contrabando: poéticas na clandestinidade, com orientação de Ângela Ferreira; Os brinquedos ópticos e o pré-cinema, dirigido por Paulo Fernandes; e A luz no multiplano, sobre técnicas de iluminação em cinema de animação, por Abi Feijó.

Pelo segundo ano consecutivo, o filmes do Homem acolherá o Kino Meeting: Encontro Internacional de Literacia para o Cinema, com a participação de cinematecas e filmotecas de Espanha, da Alemanha e da Eslovénia, além da Casa-Museu de Vilar (Lousada), dos cineclubes de Faro e Viseu, e da Ao Norte – Associação de Produção e Animação Audiovisual (Viana do Castelo), que com o Museu de Cinema de Melgaço está na origem deste festival dirigido por Carlos Eduardo Viana.