Sim, é mais difícil dormir no hospital

Os doentes internados em hospitais dormem menos, acordam com mais frequência durante a noite e despertam mais cedo do que se estiverem em casa.

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Marcelo Leal/Unsplash

Os doentes internados em hospitais dormem menos, acordam com mais frequência durante a noite e despertam mais cedo do que se estiverem em casa, aponta um estudo holandês que analisou os dados de 2000 adultos que passaram a noite num dos 39 hospitais na Holanda.

Em média, os doentes dormiram menos 83 minutos do que se estivessem em casa e acordam, em média, 44 minutos antes do início da manhã, quantifica o estudo. Isso pode não parecer surpreendente, uma vez que as pessoas acordam, em média, três vezes por noite no hospital, em comparação com duas vezes em casa. “Os factores mais relatados para a perturbação do sono foram o ruído de outros doentes, dos dispositivos médicos, a dor e as idas à casa-de-banho”, enumeram os investigadores, citados pela Reuters.

Mas há mais: “Os doentes não conseguiam dormir porque, por exemplo, estavam preocupados com o cônjuge que é demente e que está sozinho em casa, ou com o cão ou outro animal de estimação, ou estavam preocupados se poderiam ir ao casamento da filha”, aponta Prabath Nanayakkara, da VU University Medical Center, em Amsterdão. E, na maioria das vezes, os doentes não falam com a equipa hospitalar sobre o que os preocupa, acrescenta o investigador.

Mais de dois terços dos doentes inquiridos disse que foi acordadoi por causas externas, mas apenas 36% alertou a equipa do hospital, segundo o estudo. Metade dos pacientes do estudo tinha pelo menos 68 anos e a maioria estava no hospital há mais de uma noite.

Enquanto cerca de 26% estava num quarto sozinho, 26% tinha um colega de quarto e 41% tinha três ou mais colegas de quarto, mas o número de doentes que dorme no mesmo quarto não parece afectar a qualidade do sono. Um total de 335 inquiridos, 17%, tomava medicamentos em casa para ajudá-los a dormir. Os distúrbios do sono em casa não diferiram por faixa etária, mas no hospital os mais velhos tiveram menos distúrbios do que os mais jovens. 

Contudo, o estudo não analisou como é que os resultados do sono podem afectar outras questões de saúde. Ainda assim, o impacto negativo sobre a saúde está bem documentado, aponta Sharon Inouye, directora do Centro Envelhecimento Cerebral no Hebrew SeniorLife em Boston. “Há muitos efeitos – talvez o mais reconhecido é que as funções cognitivas (como atenção e memória) são interrompidas”, continua Inouye por e-mail. Por isso, a solução é deixar os doentes em paz para que eles possam dormir, aconselha. “Isso traria tremendos benefícios”.