CDS admite comissão de inquérito se ministro não esclarecer furto de material

PSD e CDS chocados com informação de que ainda há explosivos furtados de Tancos por encontrar. Partidos vão aproveitar presença de Azeredo Lopes no Parlamento

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Ministro estará na terça-feira na comissão parlamentar de Defesa ANTÓNIO COTRIM/LUSA / Arquivo

O CDS-PP admite avançar para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o desaparecimento de armamento militar em Tancos, depois de o semanário Expresso ter noticiado que o material ainda não foi encontrado na sua totalidade ao contrário do que assegurou o Exército. A notícia levou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a fazer um comunicado sobre esta matéria, na página oficial da Presidência, reafirmando a exigência de um "esclarecimento cabal" sobre o caso de modo “ainda mais incisivo e preocupado”.

Questionado pelo PÚBLICO sobre se "o PSD admite uma comissão de inquérito ao caso", o líder da bancada parlamentar do partido, Fernando Negrão, começou por responder: "Admite e estará activamente presente na audição do ministro na comissão próxima terça". Pouco tempo depois, porém, viria a lamentar o equívoco, explicando que "admite a audição do ministro na comissão [de Defesa], onde estará activamente".

A hipótese de um inquérito parlamentar a Tancos tinha sido ponderada no final do ano passado sob a anterior liderança de Passos Coelho. Os centristas abrem a porta a essa possibilidade caso "os esclarecimentos não sejam satisfatórios", de acordo com fonte oficial. 

As bancadas da oposição exigem esclarecimentos sobre o material militar desaparecido em Tancos e que está por localizar e devem confrontar o ministro da Defesa com a situação na terça-feira, no Parlamento, onde será ouvido a propósito da Cimeira da Nato. 

Numa nota publicada no Facebook, o líder parlamentar Fernando Negrão considera “inacreditável” que ainda estejam por encontrar armas e explosivos de entre o material militar furtado há um ano dos paióis de Tancos, segundo noticia este sábado o semanário Expresso.

“Está em causa a segurança nacional. O roubo aconteceu em instalações das Forças Armadas, a investigação foi feita pela Polícia Judiciária Militar e o resultado é a total falta de transparência”, criticou Fernando Negrão.

O líder parlamentar do PSD, que esta sexta-feira no debate do Estado da Nação já tinha dito que o Governo “não está interessado em apurar a verdade sobre este caso”, acusa ainda o executivo de “não cuidar das funções de soberania” nem da segurança dos portugueses, exigindo “urgentes esclarecimentos”.

O coordenador social-democrata na comissão de Defesa, Pedro Roque, mostrou preocupação sobre o assunto por se tratar de “material de guerra letal que, em mãos erradas, pode ser usado em atentados terroristas”, segundo uma nota enviada à Lusa. 

Na mesma linha, o coordenador do CDS na comissão parlamentar de Defesa, João Rebelo, assume que também vai confrontar o ministro com “informação incorrecta” prestada à Assembleia da República. O deputado disse que o partido “acompanha o comunicado do Presidente da República, em que este manifesta preocupação” sobre o assunto. O CDS-PP espera que “ainda hoje” o Ministério da Defesa e o Exército se pronunciem. Contactado pelo PÚBLICO, o gabinete do ministro recusou fazer comentários.

Segundo o semanário Expresso, os procuradores do Ministério Público salientam num recurso que, “ao contrário do que tinha sido veiculado pelo Exército e pelo Ministério da Defesa”, ainda existe material que não foi recuperado. Em causa estão granadas e explosivos, o que põe a “segurança nacional em perigo”, de acordo com os procuradores.

O desaparecimento de material militar de Tancos – instalação entretanto desactivada – foi tornado público a 28 de Junho. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e grande quantidade de munições.

A 18 de Outubro de 2017, a Polícia Judiciária Militar recuperou, na zona da Chamusca, quase todo o material militar que tinha desaparecido da base de Tancos no final de Junho, à excepção das munições de 9 milímetros.

Contudo, entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do que tinha sido roubado, o que foi atribuído pelo Exército a falhas no inventário. Com a Lusa.

* Notícia alterada às 16h55 com esclarecimento da posição de Fernando Negrão sobre comissão de inquérito.