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À primeira vista promete curar o cancro — mas não é bem assim

Todos já nos deparámos com este tipo de vídeo ao passear pelos feeds das redes sociais: música de fundo animada, legendas com tamanhos de letra generosos e a garantia de uma qualquer descoberta inovadora que vai melhorar algum aspecto da nossa saúde ou do quotidiano. No entanto, o mais recente exemplo deste femómeno a tornar-se viral tem uma rasteira.

“Este truque natural pode curar o seu cancro”, anuncia o título do vídeo de dois minutos, produzido pelo Office for Science and Society da Universidade McGill. "Desde 1800 que é conhecida uma cura incrível para o cancro", diz a animação aos espectadores, mas a mesma foi ocultada pela indústria farmacêutica. "O tratamento passa por uma espécie de musgo, Funariidae karkinolytae, descoberto em 1816 por um cientista chamado Johan R. Tarjany. Uma molécula produzida pelo musgo poderia alterar selectivamente a dupla hélice do ADN da célula cancerosa."

Tudo isto, claro, não passa de ficção e aos 40 segundos o vídeo afirma que “não existe nenhum Dr. Tarjany”; o nome é apenas um anagrama de Jonathan Jarry, o autor da animação. O vídeo mostra então uma série de factos que qualquer espectador atento seria capaz de detectar: as pessoas representadas nas fotografias não são as mesmas, a forma de dupla hélice do ADN não foi descoberta até 1953, entre outras.

“Isto é embaraçoso, certo? Porque é que vos estou a fazer isto? Porque este tipo de vídeo se torna viral nas redes sociais e é óptimo para persuadir o público. Vêem uma mulher feliz a dançar e querem ser essa mulher. Ou homem”, pode ler-se nas legendas. A mensagem do vídeo que agora se tornou viral é clara. “Sê céptico. Pergunta. Todas aquelas pistas estavam lá para mostrar o quão fácil é fazer afirmações infundadas quando os vídeos apresentam este formato”, diz Jarry. "É muito fácil cair nestas mentiras se não estivermos a prestar atenção."