No novo recinto do Meo Marés Vivas, o Porto continua a ser a estrela quando a música se cala

A uma semana do festival fomos conhecer o novo recinto. Provisoriamente nos terrenos da antiga Seca do Bacalhau, o espaço e a capacidade do evento que quer afirmar-se na rota dos maiores festivais de Verão duplicaram. A paisagem é quase a mesma.

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Ainda falta uma semana para que a música se ouça e se veja no Meo Marés Vivas e já fizemos uma paragem frente ao palco principal do festival de Gaia que este ano se realiza pela primeira vez nos terrenos da antiga Seca do Bacalhau. As únicas pessoas que lá estão carregam outros instrumentos que pouco servem para se fazer música, mas que são ferramentas indispensáveis para que ela possa ser entregue ao público nas melhores condições. Trabalha-se para que entre 20 e 22 deste mês se abram as portas do recinto à animação feita nos últimos anos com casa esgotada por cerca de 25 mil pessoas. Este ano há espaço para mais 15 mil e mais um palco – agora são cinco -, e há sobretudo mais amplitude.

Motivo para termos parado frente ao palco principal, mesmo sem nenhum dos cabeças de cartaz que lá vão tocar, foi a vista desafogada sobre o Porto, espectáculo que até há pouco tempo não seria possível de se ver a partir daquele ponto. Durante anos, as instalações daquela unidade industrial desactivada há algumas décadas esteve entregue ao abandono. Já recuperada, ainda sem um propósito de utilização final definido, servirá pelo menos este ano e talvez nos próximos dois de base para o festival que está a negociar com a autarquia um local definitivo.

E é para a cidade que dá nome ao vinho que é guardado nas caves da frente ribeirinha gaiense que o palco maior vira costas, oferecendo ao público a frente desse ângulo que começa a ser traçado na ponte da Arrábida, com o Douro por baixo, e termina na Foz Velha, onde o mar empurra o rio que vence essa luta e abraça o Atlântico.

Pintado este cenário, pode parecer que no recinto anterior, a cerca de 600 metros do novo, numa zona mais baixa do Cabedelo encostada ao rio, não havia já motivos para se admirar a vista. Não foi por isso que o festival mudou de sítio. No recinto antigo vai nascer uma urbanização. Já lá está um prédio a ganhar altura.

Dali o evento passaria para o Parque de São Paio, junto à Reserva Natural Local do Estuário do Douro (RNLED). Pelo menos era a vontade da autarquia em 2016. Não era a de alguns grupos ambientalistas e movimentos cívicos que se manifestaram contra essa mudança de local por entenderem que a fauna e flora estariam em risco. Após alguma celeuma e alguns processos abertos na justiça, chegou-se a um consenso e o Marés Vivas faz-se pela primeira vez na Antiga Seca do Bacalhau, local que era apontado como alternativa pelo SOS Estuário do Douro, movimento que se opunha à realização do evento na RNLED.  

De 8 para 20 hectares

Logo à partida, é possível constatar que este espaço ganha em dimensão. De acordo com a organização, são cerca de 20 hectares contra os 8 hectares do recinto anterior. É também um espaço mais aberto e mais largo. De comprimento terá a mesma medida que tem em largura. É uma área verde, coberta quase na totalidade por relva, o que pressupõe menos pó no ar.

Um dos pontos que ganha em qualidade é a zona frente ao palco principal. Se a anterior era exígua esta é mais larga, contribuindo para a fluência do tráfego entre palcos que se espalham pelo recinto a uma distância que permite a fluidez nas deslocações.

Outro sector que foi melhorado é o das casas de banho, já parcialmente montado. Para as mulheres, em vez de cabines individuais, serão disponibilizados contentores ligados à rede de águas públicas, com condições semelhantes a um WC doméstico. Para os homens, além desta modalidade, continuarão a existir algumas cabines.

Os acessos e vias para chegar ao recinto continuam a ser praticamente as mesmas dos anos anteriores. A distância entre recintos é curta. Para quem leva o carro tem disponível nas imediações mais do que um parque de estacionamento. Parte do antigo recinto servirá para esse efeito. Continuará a existir o serviço de boleias entre alguns pontos de ligação. Quem se deslocar de transportes públicos pode optar pelos autocarros 11 e 12 (Porto – Lavradores) e o 13 (St. Ovídio – Lavradores), da Espirito Santo ou pelo 902, da STCP. De metro a saída poderá ser feita em General Torres, onde haverá um transfer de ligação ao recinto.

Mais um palco e mais conforto

Este ano há um palco novo dedicado ao digital, por onde vão passar alguns youtubers e o palco Moche separa-se do da Santa Casa. Cada um terá o seu espaço individual. A praça de alimentação, com cerca de uma dezena de bancas, será montada junto à torre que sobra da construção original da fábrica.

No primeiro dia, além do resto das actuações espalhadas pelo recinto divididas por espectáculos de música, comédia ou sets de DJs, nesta edição mais dedicados ao Hip-Hop, tocam no palco principal Jamiroquai, Goo Goo Dolls, Richie Campbell e Manel Cruz. No dia seguinte é a vez de Kodaline, David Guetta, Carolina Deslandes, e The Black Mamba. O último dia encerra com Rita Ora, D.A.M.A, Joss Stone e LP.

Um cartaz que para o organizador encontra o equilíbrio perfeito entre actuações nacionais e internacionais num festival que após “não ter mais por onde crescer”, agora com maior capacidade, se quer afirmar no circuito dos maiores festivais nacionais.    

O orçamento ronda os três milhões de euros. Cerca de 200 mil são apoio da Câmara de Gaia. A meta de poderem receber mais público está atingida. Falta encontrar o espaço definitivo, que, segundo Jorge Lopes, está em vias de ser fechado com a autarquia. Ainda não pode adiantar pormenores. Certo é que continuará a ter a mesma paisagem como pano de fundo.

O salto deste ano a nível de espaço, que permite quase duplicar o número de público – a capacidade sobe para 40 mil -, servirá sobretudo para dar melhores condições a quem lá vai: “Poderíamos ter subido ainda mais a capacidade, mas preferimos dar mais conforto e condições de circulação ao nosso público”.