Facebook financia novos programas de notícias nos EUA

Os programas estão a ser produzidos pela CNN, Fox News, BuzzFeed e outras organizações de media norte-americanas.

Anderson Cooper, o arco-íris vem e vai, Estados Unidos
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Anderson Cooper é o apresentador de um dos programas Reuters/DANNY MOLOSHOK

Os primeiros programas noticiosos financiados pelo Facebook estreiam no começo da próxima semana na plataforma de vídeos da rede social, o Watch. Contarão com figuras conhecidas do público como o apresentador Anderson Cooper, da CNN, e Shepard Smith, da Fox News.

A criação de um canal de notícias para mostrar o “empenho do Facebook na transmissão de informação de confiança, informativa e local” foi anunciada em Junho, com parcerias com várias empresas de media norte-americanas, incluindo a ABC, a CNN, a Fox News, e o site BuzzFeed. Para já, apenas estarão disponíveis nos EUA.

É a primeira vez que conteúdo jornalístico entra no Watch, a plataforma que o Facebook lançou em 2017, nos EUA, para transmitir séries e programas online, entrando num campo de batalha onde já estão nomes como a Netflix e a Amazon. Até então, o entretenimento dominava os conteúdos na plataforma, com a série de reality show Virtually Dating (que junta desconhecidos em encontros românticos com recurso a cenários gerados a computador) a ser das mais faladas a nível internacional. 

Os novos programas de notícias – cujos custos são totalmente cobertos pelo Facebook – incluem um resumo de notícias diárias feito pela Fox, uma série sobre o impacto das grandes manchetes da semana na economia, pela Bloomberg, e uma serie semanal, da ABC, com o objectivo de estimular o debate entre pessoas com diferentes origens, religiões e pontos de vista. São todos em inglês, com apenas um, da emissora de televisão Univision, a oferecer uma versão em espanhol. 

Desde o final de 2016 que a rede social tem apostado no combate às notícias falsas, que se tornaram um tema quente na sequência da eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. A controvérsia aumentou com um relatório de 2017, em que o Facebook admitiu encontrar vários exemplos de propaganda e notícias falsas com o objectivo de “promover a desconfiança nas instituições políticas” e “espalhar a confusão”. Este ano o escândalo com a consultora britânica Cambridge Analytica, que terá conseguido aceder, sem autorização, a dados de milhões de utilizadores voltou a dar relevo ao tema.

Os programas de notícias do Facebook que são recomendados a cada utilizador vão depender dos seus interesses, das empresas de media que seguem na rede social e daquilo que os seus amigos estão a ver. Depois de notícias e de entretenimento, a rede social quer investir em programas sobre videojogos.