Presidente eleito do México anuncia reformas legislativas sem precedentes

López Obrador quer que a corrupção seja um crime grave e que os chefes de Estado acusados sejam julgados.

Andrés Manuel López Obrador
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O Presidente eleito do México, López Obrador CARLOS JASSO/Reuters

O Presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, anunciou que vai propor ao novo Congresso reformas legislativas sem precedentes, incluindo um referendo para revogar o mandato do chefe de Estado.

O veterano da esquerda, eleito no início de Junhos, também pretende alterar o artigo 108 da Constituição, para permitir que o chefe de Estado seja julgado em casos de corrupção ou violação das liberdades eleitorais.

"Esta foi a mensagem transmitida pelos mexicanos durante as eleições, apoiaram-nos, votaram em nós porque querem que acabemos com a corrupção e vamos conseguir", disse López Obrador numa conferência de imprensa onde fez eco de promessas eleitorais.

O Presidente eleito também quer criar uma consulta aos cidadãos. A proposta inicial era lançar uma consulta bienal sobre o mandato do executivo, mas acabou por optar por uma consulta a meio do mandato, após três anos.

"As pessoas votaram numa mudança real", disse Obrador que vai ainda propor que a corrupção, o roubo de combustível e a fraude eleitoral se tornem crimes graves e que os acusados desses crimes não possam ser libertados sob fiança.

Por último, quer introduzir um artigo na Constituição para limitar os salários dos funcionários públicos, sendo que nenhum poderá ganhar mais do que o Presidente.

"Vamos cortar os salários dos altos funcionários, a começar com o do Presidente. Vou ganhar metade do que o Presidente Peña Nieto, sem mais compensações", afirmou López Obrador.

Depois de duas candidaturas perdidas, em 2006 e 2012, o líder do Movimento Regeneração Nacional (MORENA, de esquerda) venceu as eleições presidenciais mexicanas de 1 de Julho, com 53,2% dos votos.

A campanha eleitoral foi definida por muitos analistas como “a mais violenta” da história do país e, de acordo com o gabinete de estudos Etellekt, pelo menos 145 políticos foram assassinados no México, entre eles 48 candidatos ou pré-candidatos.