Nicarágua

Um país a ferro e fogo

Um país da América Central está mergulhada numa espiral de violência que já fez mais de 350 mortos em menos de três meses. A ONU diz estar preocupada. O Presidente, Daniel Ortega, e a primeira-dama Rosario Murillo, são dois dos alvos da fúria do povo.

Jovens usam morteiros caseiros durante uma demonstração — o “Cordão Humano de Rotunda a Rotunda”, num percurso com mais de três quilómetros, a 4 de Julho LUSA/Jorge Torres
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Jovens usam morteiros caseiros durante uma demonstração — o “Cordão Humano de Rotunda a Rotunda”, num percurso com mais de três quilómetros, a 4 de Julho LUSA/Jorge Torres

Não há uma entidade independente nem números oficiais sobre as baixas na Nicarágua, um país a ferro e fogo desde 18 de Abril. Nesta quinta-feira, a Associação Nicaraguense pelos Direitos Humanos divulgou números trágicos: morreram mais de 350 pessoas na Nicarágua desde Abril, a maioria (306) civis.

A primeira-dama e vice-presidente Rosario Murillo dá garantias da força do Governo, que diz ser "indestrutível", e afiança que os opositores "não conseguiram, nem vão conseguir" derrubá-lo durante a actual crise socio-política. A ONU expressa enorme preocupação com a perda de vidas.

As manifestações contra o Presidente Daniel Ortega e a primeira-dama Rosario Murillo começaram a 18 de Abril, com o anúncio de uma reforma na Segurança Social muito contestada e foram brutalmente reprimidas. Actualmente, os manifestantes já não pedem o fim das reformas (que foram anuladas pelo Presidente), mas sim a demissão do chefe de Estado e da mulher, acusados pelos manifestantes de abuso de poder e corrupção.

Uma barricada em chamas, durante as manifestações contra as reformas na Segurança Social, a 21 de Abril
Uma barricada em chamas, durante as manifestações contra as reformas na Segurança Social, a 21 de Abril Reuters/OSWALDO RIVAS
Uma bomba caseira em primeiro plano, e uma barricada em Segundo, na comunidade indígena de Monimbo, a 11 de Julho
Uma bomba caseira em primeiro plano, e uma barricada em Segundo, na comunidade indígena de Monimbo, a 11 de Julho Reuters/OSWALDO RIVAS
Um manequim detrás de uma barricada em Monimbo
Um manequim detrás de uma barricada em Monimbo Reuters/OSWALDO RIVAS
E detrás do manequim, os manifestantes
E detrás do manequim, os manifestantes Reuters/OSWALDO RIVAS
A 19 de Abril, os estudantes da Universidade Agrária de Manágua saíram à rua para protestar contra as reformas na Segurança Social
A 19 de Abril, os estudantes da Universidade Agrária de Manágua saíram à rua para protestar contra as reformas na Segurança Social Reuters/OSWALDO RIVAS
Membros da brigada antimotim confrontam manifestantes que tomaram as instalações da Universidade Nacional de Engenharia, a 20 de Abril
Membros da brigada antimotim confrontam manifestantes que tomaram as instalações da Universidade Nacional de Engenharia, a 20 de Abril LUSA/Jorge Torres
Gás-pimenta usado para dispersar os manifestantes, a 20 de Abril
Gás-pimenta usado para dispersar os manifestantes, a 20 de Abril Reuters/OSWALDO RIVAS
Manifestante dispara um morteiro caseiro contra a brigada antimotim da polícia, a 21 de Abril
Manifestante dispara um morteiro caseiro contra a brigada antimotim da polícia, a 21 de Abril Reuters/OSWALDO RIVAS
A vida acontece entre barricadas, na comunidade indígena de Monimboio
A vida acontece entre barricadas, na comunidade indígena de Monimboio Reuters/OSWALDO RIVAS
Um cartaz onde se lê “Ortega, fora”, a 6 de Julho
Um cartaz onde se lê “Ortega, fora”, a 6 de Julho Reuters/OSWALDO RIVAS
Manifestante posa para uma fotografia; no graffiti lê-se “Monimbo, vulcão de dignidade”
Manifestante posa para uma fotografia; no graffiti lê-se “Monimbo, vulcão de dignidade” Reuters/OSWALDO RIVAS
Uma mulher empurra um familiar, de cadeira de rodas, em Monimbo, a 11 de Julho
Uma mulher empurra um familiar, de cadeira de rodas, em Monimbo, a 11 de Julho Reuters/OSWALDO RIVAS
Manifestante dispara um morteiro, a 11 de Julho
Manifestante dispara um morteiro, a 11 de Julho Reuters/OSWALDO RIVAS
Na Costa Rica, vários nicaraguenses organizaram uma demonstração a favor dos manifestantes, frente à Embaixada, a 11 de Julho
Na Costa Rica, vários nicaraguenses organizaram uma demonstração a favor dos manifestantes, frente à Embaixada, a 11 de Julho Reuters/JUAN CARLOS ULATE
“Nicarágua magoa-nos, acabem com o genocídio”, lê-se na t-shirt de um dos manifestantes que protestam contra o governo em frente à Embaixada do Nicarágua na Costa Rica
“Nicarágua magoa-nos, acabem com o genocídio”, lê-se na t-shirt de um dos manifestantes que protestam contra o governo em frente à Embaixada do Nicarágua na Costa Rica Reuters/JUAN CARLOS ULATE