Bruxelas piora estimativa de crescimento da economia portuguesa para 2,2%

Parte da moderação é explicada por factores temporários, sustenta a Comissão Europeia, nas previsões de Verão.

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Miguel Manso / Arquivo

A Comissão Europeia está ligeiramente mais pessimista e reviu em baixa o crescimento da economia portuguesa para este ano, para 2,2%, depois de um “arranque suave” de 2018 e espera um abrandamento da criação de emprego.

Nas previsões de Verão divulgadas nesta quinta-feira, Bruxelas piora a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português de 2,3% para 2,2%, ficando agora ligeiramente abaixo do que estima o Governo de António Costa (2,3%).

“O crescimento do PIB português abrandou para 2,1% (em cadeia) no primeiro trimestre de 2018, devido sobretudo a um enfraquecimento das exportações líquidas. Parte da moderação é explicada por factores temporários, como más condições meteorológicas que afectaram a construção e a actividade portuária”, explica a Comissão.

Apesar do “arranque suave” no início do ano, o sentimento económico “melhorou em Maio e Junho, apontando para uma “performance mais favorável no segundo trimestre”.

O consumo privado continua a beneficiar da melhoria das condições de trabalho, mas, no entanto, Bruxelas estima que abrande na segunda metade do ano à medida que “o ritmo de criação de emprego abrande e, com menor medida, em resultado do impacto da subida do preço do petróleo nos rendimentos disponíveis”.

A Comissão prevê que tanto as exportações como as importações continuem a crescer a taxas elevadas, com uma contribuição para o crescimento negativa, devido a um ambiente externo menos favorável.

O executivo comunitário mantém a estimativa de crescimento do próximo ano em 2% - abaixo da projecção do Governo, que espera que o ritmo de expansão do PIB se mantenha nos 2,3% em 2019.

Já no que diz respeito à inflação, e depois de um “abrandamento significativo no início do ano”, os preços começaram a recuperar em Maio, devido à subida do preço do petróleo.

Por isso, a inflação deve rondar os 1,4% em 2018 e os 1,6% em 2019, antecipa Bruxelas.

“O crescimento dos salários tem estado subjugado, mas espera-se que recupere gradualmente no horizonte da projecção [até 2019], empurrando o preço dos serviços além da meta de inflação [que é de 2%]”, segundo a Comissão.

Lembrando que os preços na habitação cresceram 12,2% no primeiro trimestre, devido ao turismo e à entrada de capitais estrangeiros, a Comissão espera que a recuperação na construção de casas controle gradualmente os preços na habitação, embora a diferença face à meta de inflação permaneça substancial.

Este ano, a Comissão Europeia voltou a publicar duas previsões abrangentes (primavera e outono) e duas previsões intercalares (inverno e verão) a cada ano, em vez das três previsões abrangentes no inverno, na primavera e no outono que produziu todos os anos desde 2012.

Isso faz com o relatório intermédio apresente apenas actualizações do PIB e da inflação. Nos relatórios publicados desde 2012, a Comissão apresentava previsões também para a taxa de desemprego, o défice orçamental, a dívida pública e o saldo das contas externas, entre outros.

Bruxelas alerta para “riscos significativos” na economia europeia

A Comissão Europeia reviu também hoje em ligeira baixa o crescimento da economia europeia para este ano, antevendo que abrande para os 2,1% na zona euro e na União Europeia, e adverte para “riscos significativos” de nova revisão em baixa.

Depois de nos dois anteriores exercícios de previsões macroeconómicas – as do inverno (em Fevereiro) e da primavera (em Maio) – ter antecipado um crescimento do PIB de 2,3% este ano tanto no espaço da moeda única como no conjunto da União Europeia, o executivo comunitário, nas suas previsões intercalares de verão hoje divulgadas, indica que “após cinco trimestres consecutivos de expansão vigorosa, a dinâmica económica abrandou no primeiro semestre de 2018”, levando a uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais.

Embora acredite que “a dinâmica de crescimento se fortaleça de alguma forma durante o segundo semestre do ano”, e que continuam a estar reunidas “as condições fundamentais para um crescimento económico sustentado”, com as perspectivas de “uma melhoria das condições do mercado de trabalho, um declínio do endividamento das famílias, e a manutenção de uma elevada confiança do consumidor e de uma política monetária que apoia”, Bruxelas adverte todavia para a “crescente incerteza”.

“Ainda que o recente desempenho económico robusto já tenha dado provas de resiliência, as previsões continuam à mercê de riscos negativos significativos, que aumentaram desde a primavera”, alerta Bruxelas.

A Comissão explica que as suas previsões de hoje partem do princípio de que não haverá uma escalada ainda maior nas tensões comerciais, mas que, se tal se verificar, haverá consequências negativas a nível do comércio e do investimento.

“Outros riscos incluem um potencial para volatilidade dos mercados financeiros relacionado, sobretudo, com riscos geopolíticos”, aponta.

Num primeiro comentário às previsões económicas de hoje, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, observou que Bruxelas continua a esperar uma expansão da economia europeia em 2018 e 2019, mas sublinhou que "uma escalada ainda maior de medidas proteccionistas constitui um risco claramente negativo".

"As guerras comerciais não produzem vencedores, apenas vítimas", disse.

Relativamente à inflação, o outro indicador macroeconómico contemplado nestas previsões intercalares – as próximas completas serão as de outono, em Novembro -, a Comissão Europeia procede a uma pequena revisão em alta, de 0,2 pontos percentuais tanto na zona euro (para uma taxa de 1,7%), como na UE (para 1,9%), como resultado do aumento dos preços do petróleo desde a primavera.

Actualizado com mais informação às 10h40