Nos festivais é melhor ficar parado ou andar à procura dos amigos?

Para responder a esta e outras questões, um estudante da Universidade de Warwick, conduziu uma série de experiências.

Vista aérea, fotografia aérea, gramado
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LUSA/ANTHONY ANEX

Imagine-se a seguinte situação: estamos no meio de uma multidão, durante um festival de Verão à procura de um amigo e sem telemóvel. Será melhor ficarmos parados à espera que esse amigo nos encontre ou partir à sua procura? Foi esta a questão de partida que levou um estudante de doutoramento da Universidade de Warwick, Nathan Cunningham, a conduzir uma série de experiências em computador, para determinar qual a melhor opção. De acordo com os resultados, a estratégia mais indicada é andar.

Assumindo que o recinto do festival (com uma medida definida em número de passos) é quadrado e que os dois intervenientes se podem mover livremente, sem obstáculos, Cunningham construiu uma simulação em que estes andam a uma velocidade constante e mudam de direcção 5% do tempo. O "amigo" está sempre em movimento – eliminando a hipótese de os dois ficarem parados, uma limitação do estudo. A variável a ser estudada é a decisão da pessoa que está à procura do amigo de ficar parada ou andar. Cunningham definiu ainda que se pode considerar que os dois se encontram a partir de uma distância de 15 passos.

O estudante fez a simulação cem mil vezes para arenas de diferentes dimensões. Em todos os casos, a opção de andar provou ser mais vantajosa, sendo que numa arena de um comprimento de 200 passos, a pessoa ficaria à espera mais 50% do tempo para se reunir com o amigo se adopta-se a estratégia de ficar parada. Neste caso, a média de passos dados é de 1500 no caso de a opção "ficar parado"; e de 1000 no caso da opção "andar".

Cunningham indica ainda que a busca terá melhores resultados se o percurso adoptado for mais constante. Voltou a conduzir a simulação cem mil vezes, desta vez para uma única dimensão de recinto (100 passos) e assumindo que a pessoa que procura o amigo se mexe sempre. E partindo do princípio que o amigo se move também, a quantidade média de passos até ao encontro dos dois vai de 257 quando o amigo se mexe da forma mais constante possível – mudando de direcção apenas quando atinge uma barreira – e 3284 quando o amigo muda de direcção a cada passo.

O estudante criou ainda uma ferramenta para que qualquer pessoa possa conduzir estas experiências, alterando as diferentes variáveis: a dimensão do recinto, a distância a que se considera que os amigos se encontraram, a probabilidade de a pessoa mudar de direcção e de o amigo mudar também.