Montenegro defende que Rio deveria assumir já voto contra OE

Ex-líder parlamentar do PSD contraria presidente do partido

Luís Montenegro tem sido crítico de Rui Rio
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Luís Montenegro tem sido crítico de Rui Rio Miguel Manso

O ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro defende que o PSD deveria clarificar já que votaria contra o próximo Orçamento do Estado (OE) para não ficar a ideia de “hesitação”. As declarações, esta quarta-feira, na TSF, chocam com a posição assumida pelo líder do partido. Rui Rio diz que só dirá se é contra ou a favor quando conhecer a proposta.

“Era escusado ao PSD que houvesse uma certa nuance ou noção de hesitação (…). A verdade é que não foi dito preto no branco aquilo que será a posição do PSD. O argumento de o documento não ser conhecido é relativamente menor do ponto de vista da análise política. Todas as intervenções quer do primeiro-ministro quer do ministro das Finanças apontam para o seguimento da linha que vem detrás e portanto não haverá novidade”, afirmou Luís Montenegro, no programa Almoços Grátis na TSF.

Questionado sobre se Rui Rio devia dizer já que o PSD vai votar contra, o ex-líder da bancada defendeu que sim. “Parece-me natural”, disse.

Apontado como potencial futuro candidato à liderança do PSD e um assumido crítico da liderança de Rui Rio, Luís Montenegro vem assim dar corpo às vozes internas que pedem uma clarificação da posição do PSD sobre o OE. Esse foi, aliás, o tema da última reunião da bancada, em que Hugo Soares, também ex-líder parlamentar e próximo de Montenegro, defendeu que o PSD deveria assumir o voto contra. Nessa altura, dentro da reunião, o líder da bancada Fernando Negrão defendeu que essa seria a posição do PSD, mas em declarações aos jornalistas já não foi tão taxativo.

Perante os sinais de aproximação do PSD ao PS e as tensões crescentes à esquerda, os deputados sociais-democratas têm receio de que Rui Rio se disponibilize para viabilizar o OE para evitar uma crise política. Nesse cenário há quem ponha a hipótese de sair do Parlamento e até de contribuir para a convocação de um congresso extraordinário para discutir a questão.