Jornal de Angola diz que é tempo de “relação de amor e não mais de ódio” com Portugal

António Costa visitará a capital angolana em Setembro.

João Lourenço, António Costa, Luanda, Presidente de Angola
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António Costa e João Lourenço encontraram-em Janeiro à margem do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça LUSA/LAURENT GILLIERON

O Jornal de Angola escreveu esta quarta-feira que Angola e Portugal "têm tudo" para "definitivamente" avançar para "uma relação de amor e não mais de ódio", a propósito da visita a Luanda do primeiro-ministro português, António Costa, prevista para Setembro.

Num editorial intitulado "As relações entre Angola e Portugal", o jornal estatal angolano aborda as reuniões mantidas esta semana, em Lisboa, pelo ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, com o primeiro-ministro e o Presidente da República. "Os povos angolano e português têm interesse em que as relações entre Portugal e Angola atinjam um nível que possa dinamizar a cooperação económica entre os dois países", escreve o jornal.

Ao mesmo tempo que recorda que "os portugueses têm empresas em Angola" e que os "angolanos têm capitais aplicados em Portugal", o jornal sublinha que "é por isso do interesse dos empresários de ambos os países que haja boas relações políticas e diplomáticas entre Angola e Portugal", para "impulsionar, por exemplo, as relações comerciais". "Angola e Portugal têm tudo para estabelecer exclusiva e definitivamente uma relação de amor e não mais de ódio. Angola e Portugal têm condições para se constituírem num bom exemplo de cooperação, na base do respeito mútuo", lê-se no mesmo editorial.

O primeiro-ministro, António Costa, visita Angola a 17 e 18 de Setembro, anunciou esta quarta-feira em Bruxelas o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Augusto Santos Silva.

Em Luanda, precisou Santos Silva, Costa irá reunir-se com o Presidente da República de Angola, João Lourenço. A visita, segundo o ministro, terá "uma componente económica muito importante porque o relacionamento comercial e em termos de investimentos recíprocos de Portugal e de Angola é muito intenso".

No editorial desta quarta-feira, publicado antes do anúncio destas datas, lê-se que as autoridades angolanas e portuguesas "compreenderam, no interesse dos seus povos e países, que era tempo de erradicar obstáculos a uma boa convivência", o que acontece "numa conjuntura mundial que requer muito diálogo, tendo em conta que há muitos problemas que exigem o empenho de países de diferentes continentes".

Este ambiente de maior acalmia nas relações entre os dois países dá-se depois do processo de corrupção (Operação Fizz) em torno de Manuel Vicente, ex vice-presidente de Angola, ter sido remetido para as autoridades judiciais angolanas. Esta solução agradou à justiça angolana, que há muito procurava este desfecho, depois da justiça portuguesa ter-se recusado, durante muitos meses, a transferência do processo para os tribunais angolanos.