Cerca de 30 professores reunidos em "vigília de luta" em Braga

Com a vigília, os professores desejam "mostrar união e força", salientando que "a greve não é o único caminho".

Os professores têm feito protestos e greves num braço-de-ferro com o Governo
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Os professores têm feito protestos e greves num braço-de-ferro com o Governo. Na fotografia, protesto promovido pelo sindicato STOP a 15 de Junho, junto ao Parlamento Rui Gaudêncio

Cerca de 30 professores concentraram-se esta terça-feira em Braga numa "vigília de luta" pelo reconhecimento dos nove anos quatro meses e dois dias de tempo de serviço para "efeitos de progressão na carreira". "Nós só pedimos aquilo a que é nosso de direito. É uma questão de justiça. Não estamos sequer a pedir retroactivos", explicou à Lusa Filipa Marques, representante do "movimento espontâneo" que organizou o protesto, Professores Sem Voz.

Convocado via redes sociais e pelo "passa a palavra" o protesto reuniu cerca de 30 professores, sendo que a data do protesto não foi escolhida ao acaso: "Quisemos fazer isto hoje para mostrar que estamos unidos uma vez que recomeçam amanhã [quarta-feira] as negociações entre os professores e o ministro da Educação", explicou a docente.

Segundo Filipa Marques, com este protesto "e outras acções que estão a ser equacionadas" os professores desejam "mostrar união e força", salientando que "a greve não é o único caminho".

Das negociações de se iniciam quarta-feira entre os sindicatos do sector e o ministro Tiago Brandão Rodrigues, os docentes reunidos em Braga esperam "nem menos um dia reconhecido do que os nove anos, quatro meses e dois dias".

O "movimento" Professores Sem Voz, explicou aquela professora, "nasceu numa acção de protesto durante a qual em conversa professores que não se conheciam de lado nenhum decidiram juntar-se com o objectivo de dar a conhecer a luta que enfrentam, mas também os problemas da carreira de docente".

Filipa Marques apontou o "cansaço, exaustão e más condições de trabalho" como alguns desses problemas.

"E depois disto tudo ainda nos é vedada a hipótese de atingir o topo de carreira devido ao congelamento das progressões. Se aos 50 anos estamos num terceiro escalão e são dez, nunca lá chegaremos e vamos, obviamente, ser prejudicados na reforma", terminou.