Tailândia

"Milagre ou ciência"? Não se sabe, mas os 13 estão todos cá fora

Os rapazes da equipa de futebol que, juntamente com o seu treinador, estavam há 18 dias presos numa gruta no Norte da Tailândia foram todos resgatadas. O alívio foi de tal forma generalizado que muitos líderes mundiais reagiram.
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Finalmente é possível respirar de alívio. Os 12 rapazes da equipa de futebol Wild Boars (Javalis Selvagens) e o treinador de 25 anos saíram da gruta de Thuam Lang, no Norte da Tailândia, onde estavam presos desde o dia 23 de Junho. “Não temos a certeza se isto é um milagre, ciência, ou outra coisa qualquer. Todos os 13 ‘Javalis Selvagens’ estão fora da gruta”, disse a unidade de Seals da Marinha tailandesa na sua página de Facebook.

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A dúvida dos Seal tailandeses, envolvidos na operação de resgate, expressa o alívio com o sucesso dos trabalhos. Chegou a temer-se que a retirada de todos os rapazes seria uma missão impossível. Aliás, na altura em que a equipa de futebol foi encontrada com vida no interior da caverna, uma semana depois de ter desaparecido, já muitos perdiam a esperança.

O resgate dos rapazes e do seu treinador, que durou três dias, foi seguido com tal atenção em todo o mundo que foram vários os líderes políticos internacionais a reagir.

“Que momento bonito – todos resgatados, grande trabalho!”, escreveu o Presidente norte-americano, Donald Trump, no Twitter.

Theresa May, primeira-ministra britânica, mostrou-se “encantada por ver o resgate bem-sucedido”. “O mundo estava a assistir e sauda a bravura de todos os envolvidos.”

Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã Angela Merkel, também usou o Twitter para dizer que há “muito para admirar: a perseverança dos bravos rapazes e do seu treinador, e a habilidade e determinação dos seus salvadores”. 

A complexidade de toda a operação foi sendo destacada pelas autoridades nos últimos dias. A piorar o cenário estavam as monções que poderia inundar ainda mais a rede de grutas, arriscando pôr em causa o resgate. Mas tudo correu melhor e mais rápido do que o esperado. E assim, no primeiro dia saíram quatro rapazes, no segundo outros quatro e nesta terça-feira os restantes cinco que lá estavam dentro. Depois foi a vez de três mergulhadores e um médico que acompanhavam os rapazes no interior da gruta saírem.

Um grupo de mergulhadores tailandeses e estrangeiros ficou a cargo da árdua tarefa de guiar os rapazes pelo perigoso caminho composto por grutas, muitas delas submersas e por onde passava apenas uma pessoa, rochas afiadas e tudo numa escuridão absoluta.

Narongsuk Keasub, mergulhador que ajudou a transportar garrafas de ar para a equipa Seal, disse à CNN que esta foi a sua "missão mais difícil”. “Apenas conseguíamos ver as nossas mãos e uma curta distância”. “As rochas são afiadíssimas” e a “passagem é muito estreita”.

O momento de felicidade foi também aproveitado para homenagear o mergulhador que morreu na semana passada durante os preparativos para a operação.

A informação divulgada durante a operação foi escassa e foi saindo a conta-gotas. Sabe-se que os rapazes resgatados no domingo e na segunda-feira estão bem de saúde mas vão continuar internados no hospital para serem monitorizados. Os últimos a sair foram transportados para o mesmo hospital mas não se conhece o seu estado de saúde. No entanto, nos últimos dias, foram dadas indicações de que todos estavam fisicamente bem e tranquilos.

Agora é altura de começar a olhar para a frente. E garantir que uma situação destas nunca mais ocorra. Este desejo tinha sido expresso na segunda-feira pelo primeiro-ministro tailandês, Prayuth Chan-ocha. Com todos cá fora, o governante prometeu medidas: “No futuro, temos de vigiar as entradas e saídas da gruta. Esta gruta tornou-se mundialmente famosa. Temos de instalar mais luzes lá dentro e pôr sinaléticas”.